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Qui, 14-06-2012 ás 06:00:00

Brasil não pode baixar o preço da gasolina, diz especialista

 Se não quiser "andar para trás na história", o Brasil não pode sucumbir à tentação de manter o preço da gasolina baixo no mercado doméstico com a ampliação da produção do pré-sal.

 
A avaliação é do coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe/UFRJ, Emilio La Rovere, que participa nesta quarta-feira do Rio/Clima, evento sobre mudanças climáticas que ocorre de forma paralela à Rio+20, a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável.
 
La Rovere disse considerar "absolutamente respeitável" o objetivo do governo de proteger a economia brasileira das flutuações abruptas no preço do petróleo no mercado internacional por meio da regulação dos preços dos combustíveis, mas defendeu que o valor cobrado no país não pode ficar abaixo do praticado no exterior por muito tempo.
 
Segundo ele, isso prejudica as finanças da Petrobras, que importa combustíveis por um preço maior do que a vende, e manda um sinal errado para a sociedade.
 
Em maio, segundo especialistas ouvidos pela Folha, o preço da gasolina e do diesel no mercado doméstico era de 15% a 20% inferior ao do mercado internacional. O último reajuste autorizado pelo governo foi em novembro de 2011.
 
"O objetivo de controle da inflação não deveria sobrepujar essa sinalização de que a gasolina tem que custar mais caro, porque ela tem impactos ambientais negativos e o uso do automóvel não pode ser estimulado", afirmou La Rovere.
 
Ele destacou que um dos temas em pauta na Rio+20 é justamente o corte de subsídios aos combustíveis fósseis, principalmente nos Estados Unidos, mas também no Brasil, no México e na Venezuela, entre outros.
 
"Isso me preocupa, porque o Brasil está às vésperas de se tornar um grande produtor de petróleo com o pré-sal", disse.
 
"A gente não pode sucumbir à tentação de manter os preços dos derivados de petróleo baixos só porque vai ser um grande produtor de petróleo. Isso significaria andar para trás na história, pegar o caminho que a Venezuela e o México pegaram, que é o caminho de uma economia intensiva em uso de petróleo e emissões. O futuro aponta numa outra direção", afirmou.
 
Para ele, o país deve manter um "consumo austero" de petróleo e exportar o excedente de produção, usando a renda obtida para realizar investimentos em energias renováveis e inovações tecnológicas sustentáveis.
 
De acordo com o especialista, o investimento maciço em energias renováveis é a única maneira de o país manter uma trajetória consistente de redução das emissões de gases do efeito estufa além de 2020, ano no qual se pretende que as emissões estejam abaixo das de 2005 --esse objetivo consta das metas voluntárias assumidas pelo país na Conferência do Clima de Copenhague, em 2010.
 
Segundo La Rovere, o cumprimento das metas traçadas para 2020 é viável por conta da redução do desmatamento, que em 2011 atingiu o nível mais baixo desde o início do monitoramento. No entanto, sem medidas adicionais, as emissões provocadas pelo transporte, pela indústria e pelo consumo de energia continuarão a crescer.
 
"Em 2020, as emissões da queima de combustíveis fosseis deverão ser maiores do que as emissões de desmatamento. O Brasil vai entrar numa era distinta da atual, em que o desmatamento é a principal causa das emissões brasileiras", disse.
 
De acordo com ele, estudo realizado pela Coppe mostra que, se não forem adotadas novas políticas de mitigação, em 2030 as emissões totais do país já estarão novamente maiores do que as de 2005, "anulando" os ganhos com a redução do desmatamento.
 
"Mas há alternativas. A gente pode dinamizar as energias renováveis e a eficiência energética para conseguir, de 2020 até pelo menos 2030, estabilizar e até continuar esse processo de redução de emissões", afirmou
 
 
 
Fonte: Folha UOL
Edição: 45 Graus

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