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Qua, 25-05-2005 ás 09:41:34

Caso Tim Lopes

Depois de 16 horas de julgamento, os jurados decidiram por 4 a 3 a condenação de 28 anos e meio de prisão de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, principal acusado da morte do jornalista Tim Lopes, em junho de 2002. A sentença, divulgada às 5h30m desta quarta-feira, foi lida pelo presidente do 1º Tribunal do Júri do Rio, o juiz Fábio Uchôa. Os jurados consideraram o réu culpado de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Os advogados de defesa recorreram da decisão ainda no plenário. Outros seis acusados de cumplicidade no crime deverão ser julgados no dia 14 de junho. Para a irmã do jornalista, Tânia Lopes, a decisão do júri foi sábia e foi feita a justiça. Segundo ela, o julgamento foi satisfatório e a promotoria atuou brilhantemente assim como seus assistentes. Ela agradeceu o empenho do Ministério Público que conseguiu a condenação de Elias Maluco. Elias Maluco saiu às 8h15m, de terça-feira, do Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste, e foi levado para a carceragem do Fórum. Foi montado um forte esquema de segurança, com cerca de 48 policiais deslocados para o local, além de equipes do Getam e do Bope. Ângelo Ferreira da Silva, o Primo, também seria julgado nesta terça, mas só será submetido a júri popular no dia 14 de junho, com outros cinco réus. A pedido da defesa, o juiz Fábio Uchôa deferiu o pedido de desmembramento do processo. Elias e Ângelo chegaram ao local às 9h. Os dois estavam escoltados por seis carros da Polícia Militar e acompanhados por um helicóptero. O trânsito ficou complicado no Centro da cidade. Depois, o traficante foi transportado num carro da PM por 200 metros entre o Fórum e o Tribunal, escoltado por policiais a pé. Elias foi representado por José Maurício Neville de Castro Júnior e Célio Maciel porque o antigo advogado teve de ser substituído depois de ser detido. Paulo Cuzzuol foi preso quando levava US$ 320 mil do traficante Fernandinho Beira-Mar, para quem também trabalhava. Maciel dispensou cinco testemunhas de defesa, o que diminuiu a duração do julgamento. Diante do juiz Fábio Uchôa Pinto de Miranda Montenegro, Elias se negou a depor. Ele disse que é pai de dois filhos e trabalhava como pintor de automóveis. A promotora Viviane Tavares Henriques apresentou gravações de depoimentos de três acusados de pertencer à quadrilha de Elias Maluco. Um deles, de Elizeu Felício de Souza, o Zeu, que disse ter recebido ordem de André Capeta, hoje morto, de Elias Maluco e de Maurício de Lima Matias para comprar gasolina e óleo diesel num posto de gasolina próximo à favela. Tim Lopes, depois de morto, teve seu corpo queimado. Segundo a acusação, Zeu participou da sessão de tortura de Tim Lopes. Nove pessoas foram indiciadas no processo. No entanto, duas já morreram: André da Cruz Barbosa, o André Capeta, e Maurício de Lima Matias, o Boi. Elias Maluco é o primeiro a ser julgado. Depois, acontecerá o julgamento de Renato de Souza Paula ou Anderson Souza de Paula, o Ratinho; Elizeu Felício de Souza, o Zeu; Ângelo Ferreira da Silva, o Primo; Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê ou Cabê; Fernando Sátyro da Silva, o Frei; e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa. Segundo a promotora Patrícia Glioche, os outros réus, que tinham advogados, optaram por um defensor público. E como o titular do 1º Tribunal do Júri estava de férias, foi designado o defensor tabelar, que já tinha um outro julgamento marcado para a mesma data, o que tornou necessário o desmembramento. Fonte: Jorge Martins - O Globo Globo Online

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