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Dias Normais
Dias Normais
15-10-2010 13:00:00

Confira a venda online dos livros do escritor José Augusto Sampaio

Já estão à venda os livros de estreia do escritor José Augusto Sampaio. Imagine alguém te olhando do escuro e O outro lado do olho, são os títulos dos livros de contos e poemas respectivamente.
 
Acesse os links abaixo e veja os livros do escritor José Augusto Sampaio à venda online.
 
 
 
 
Leia agora um conto e três poemas que estão nos livros:
 
Elis ama
 
Elis desligou a luz e abriu a gaveta do armário da cozinha. Segurou o martelo de chumbo, que amassa a carne para ser assada, e suspirou durante cinco segundos, até largá-lo. Depois puxou de vez a faca nova de cortar carne, que ela havia comprado na semana passada, pois a antiga ela jogou fora.
No quarto, rapidamente, botou a faca debaixo da cama e se deitou, esperando seu marido Mário, que estava terminando o banho.
_Você vai dormir nu? – pergunta Elis.
_Sim, meu amor.
_É, meu bem, é bom mesmo, está muito quente.
Mário deita-se na cama, faz alguns carinhos em sua esposa e se vira para dormir.
Rapidamente ele vai dormir, como sempre. Pensa Elis, aguardando ansiosa que Mário durma.
Depois de trinta minutos Mário começa a dar sinais de sono quase profundo. Elis, com o olhar estático, respira fundo. Devagar, pega a faca escondida debaixo da cama, bem devagar, levanta a faca e, já com os punhos fechados com força no cabo da faca, ela...
Mário levanta-se de vez e vai ao banheiro.
_O que houve, amor?
_Vou mijar – Mário, sonolento, responde.
Na volta do banheiro, no quarto, Mário abre a gaveta do armário, veste um pijama bem antigo e que Elis adora, ele volta pra cama, deita-se e rapidamente dorme.
Ele sabe que eu adoro esse pijama, nele fica lindo. Ela pensa, e começa a olhar o seu marido. Pela sexta vez desiste de matá-lo. Ela esconde novamente a faca debaixo da cama, encosta um pouco em Mário e dorme.
 
Três horas depois, Mário levanta-se, vai ao banheiro e volta com a antiga faca de cortar carnes, que ele falou para Elis jogar fora e comprar uma nova. Mário deita-se bem devagar ao lado de Elis, com a intenção de não acordar a esposa, e, com os punhos bem apertados, segurando no cabo da faca, enfia com força e sem pudor nas costas de Elis a ponta enferrujada da faca antiga.  
 
 
Amor à primeira vista
 
Na passarela transversal e vertical
entre o céu e as avenidas
venho transeunte
vermelho transcendente.
E lá ela vem.
Deusa. 
Vestida de vestido eminente.
Pedaço de beleza.
 
O vento passa
o amor sorri e assa
ela timidamente segura sua saia.
 
Eu digo:
__Você é linda segurando sua saia assim.
__Oxe, menino, sai pra lá, deixe de mim.
__É verdade, de coração. Você fica bela, é paixão!
__Você é louco?
__Não. Foi você que despertou toda minha loucura e vontade de amar com sinceridade.
__Cê é maluco, é? Polícia, polícia...sai, maluco, sai! Vai mexer com outra.
 
Feita a confusão.
Tudo por causa do amor à primeira vista
de impulso que não conquista.
É ordem calar o coração.
 
 
Vida rotineira
 
Assistindo ao Jornal Nacional e imaginando como o Bonner fode a Fátima.
Vendo minha esposa comer a fome num apetitoso e cheiroso cachorro quente
Enquanto entanto estando sentado de regime como lástima.
 
A novela começa:
Baby para lá
Bode para cá
E Dinheiro que é bom não cai do céu.
 
Enquanto alguns podem
Eu nem mel.
 
 
Ode aos privilegiados.

Tenho cabelo grande maluco beleza.
Sou ácido hippie, tenha certeza.
Poeta beatnik, valeu, firmeza?

Sou comunista, altruísta, nacionalista, capitalista, extremista.
Levanto a bandeira socialista, não sou qualquer porta bandeira de praxe.
Tenho lido Nietzsche, tenho lido Marx.
Seguro a marcha da revolução em ordem evolutiva.
Degenero tudo ao meu favor, sou progressista.
Conduzo-me na força de meu coração, sou ditador.
Dito, afirmo e dito.
Não ligo pra ninguém e sua dor.
Vou atrás dos revolucionários e mentores
motores da nova geração e modernadores.

Carrego livro grosso.
Tenho gosto que dá gosto.
Usufruo de cabelo grande
como já foi dito antes.
E sigo e vou e fico.
Êhhh caba indeciso voando altivo.

Meu martírio é segurar as bandeiras e ser primeiro.
Sou o último a morrer na guerra.
Fico sempre no lado de quem eleva a nova era.

Na minha camisa está escrito: pra que dinheiro?
Também sou seguidor de Cristo e da paz
sou bonzinho, um exemplo de rapaz
sou bizantino
conheço Firmino
e não digo o que este tal Firmino tem a ver com a minha sina.
E não me livro do progresso enlouquecedor da rima.
E do progresso enlouquecedor da rima não me livro.

Já vivi a idade do tempo e ainda vivo
não sei quantos e quantas já se proclamaram Cristo.
Hoje sou intelectual.
Defendo a guarda nacional.
Me candidatei e, se for eleito, farei.
Converso pra boi dormir.
No sul sou José, no Piauí
sou Zezim.

Sou revolucionário burguês
e sinto lhe dizer pra que vim
vou te fazer meu freguês.
Ando de Mercedes-benz
Wolksvagem e de General Motors.
Amém, meus bens.
Eu também oro.
Sou devoto e tenho um santo propósito.

Sou maluco certeza
mas tenho dinheiro
estou de beleza.
Sou íntegro e vou ao que quero certeiro.
Penteio o cabelo de lado.
Uso colarinho branco.
Assalto banco.
Aprendi a ser malandro safado.
Depois do trabalho, tiro a gravata e como bem na delicatessen
não, não há nenhum mal em comer bem na delicatessen
o mal está em quem olha pela vitrine e sonha, sonha, sonha, só sonha. Até virar cinza e pó.
Eu não paro de sonhar
cheiro pó
quero abalar.
Que cristo não me ouça
a minha boca se morda
e meu nariz exploda.

Meu cérebro está acelerado, agoniado.
Estou numa rotina pra descarado.
Quero comprar meu carro.
Não mereço isso
nasci pra ser aquilo.
Sou aniquilado aniquilador.
Sou poetador arretado.
Sou artista, um amante da boemia
com ou sem hipocrisia.
Tenho a bossa nova no meu iPod.
Sem depender de nenhuma opinião
faço tudo por mim, o que devo e o que pode.
Garanto, sempre ganho a razão.
Sou no outro mais um desgraçado
uma belo descarado.

Vou moderno e cultuando o mundo privilegiado de mim.
Vou moderninho cominando o mundo feito para mim.
Sou elite, vanguarda.
Sou conservador e dono das palavras.
Sou moderno, moderninho, contemporâneo
ouço Los Hermanos.
Sou discípulo de Caetano e curto trance.
Me visto todo louco, uso couro de serpente.
Estou oco
mas tenho um Ray-Ban maroto
marotinho vou e sou escroto.
Curto um broto.
Pago pra puta.
No motel, como uva.
E não pago pau pra ninguém.
Até porque me escondo.
Tenho medo e me escondo.
Pago pra ficar tudo zen.
Quer saber? Não te conto
e nesse rumo vou sem
ninguém.
 
 
Boa leitura, até breve.
 
José Augusto Sampaio
 
02-04-2009 11:20:31

Leia uma crônica de Luciano Almeida, o eterno Poeta

Bebamos!
                                                     aos piás Joãozinho e Maykell
  Certa feita, em uma mesa de bar, conversávamos uns amigos e eu acerca de um sem-número de coisas; entre elas, acerca de um projeto nosso de coletânea, reunindo alguns bons escritores desta nova safra de poetas locais!
  Devo sinceramente a idéia até (desse projeto) a Thiágo(ras) (da Validuaté), que, sempre quando esbarrávamos, era batata a pergunta:
 
  –  E o livr(et)o, Arumeda, sai ou não sai?!
 
  E eu, já emputecido com aquilo, depois de alegar, pela milionésima vez, que não tinha grana o suficiente, sugeri (Não! Não foi para ele ir aquele terrível lugar!):
 
  – Façamos uma coletânea, então!
 
Sim! Por que não? Uma coletânea e descarada vaquinha literária: João Henrique, Maykell Francis, Kadja Ravena, Jaqueline Bezerra, José Augusto Sampaio (que é arretado baiano de alma e futuramente prole teresinenses), Maçone, Raquel Guedelha... Thiágo(ras)? Saltou fora! Está em outra (balsa)!
  Tocamos ainda [os compadres da mesa (ou "comparsas", de acordo com Maçone, à uma pequena que me ligava certa vez) e eu] no delicado assunto que envolve uma tal ortográfica reforma que, literalmente e à princípio, carecerá de uma senhora mão de obra!
  Eu, como escritor, desde já, afirmo que farei frente! E penso que nós, vates, cronistas e romancistas, assim como os professores de Português, gramáticos, pedagogos e estudiosos da Língua, deveríamos fazer todos uma grande barr(ic)ada!
  Universalizar a Língua pátria, primeiramente extirpando o trema (que nos dá a gráfica e exata medida ou distinção da pronúncia que há entre palavras como "saquê" e "tranqüilo") e, muito em breve, os demais acentos? Ora, pois, pois...
  Não julgo certo!
  Justamente a nós, que falamos um Português repleto de magníficas palavras em Tupi e Iorubá? Centenas com acento!
  É a nossa Identidade como brasileiros, toda a nossa formação lingüística, passada de ouvido a ouvido, de folhetim a folhetim, que atiramos assim? À lixeira de algum estúpido (Não, geralmente é mais de um!)?
  Um país com dimensões continentais, de miscigenadas cultura e cor de pele, sim! Mas é isto que é o Brasil!
  Levar (daqui) os acentos é como tapar a minha boca! E eu recuso-me a ser tão covarde! Se escrevo porque respiro, isto certamente me sufocaria!
  Já não basta a vergonha nacional de um grande pelotão (não só de jogadores de futebol ou transeuntes, pêgos, no susto, por algum programinha de merda, mas de futuros administradores de empresa) desconhecer trechos televisivos do "Ouviram do Ipiranga", histórica balela?
  Ou seria o "Caminhando e cantando" de Vandré melhor escolha? Hino de luta que é e que nos representou muito bem um espírito, uma â(n)s(i)a que infelizmente já não mais se ouve.
  Mas aí, tomei a decisão de virar o meu copo! Os amigos me alertavam que já estava esbravejando e a dar uns bons tapas na inocente mesa, coitada!
  O que fazer, então? Bebamos! Bebamos!
  Ademais, se continuasse, teria de substituir o título por outro, como... Deixe ver... "Borrão de mordaça"!?
  E o caso, aqui, é leve ou ligeiramente, enfim, descontraído!
  Contava um dos comensais, antes ou depois dos sete pulos no mar (que não deu), das maravilhas do Recife, como igrejas em mármore e um túnel subterrâneo que interligava todas do lugar! Obra de invasores holandeses que perdura até os dias de hoje!
  Mas mal (em mim) da poesia! Pois arrasta-me, vez em quando, de rodas enfadonhas ou interessantíssimas!
  Viajei, senti uma borboleta embriagando-me de orquídeas, divaguei, cheguei a ouvir o solo de La Belle du Jour, vi esparramando-se a lua sobre um colorido mar que refletia a queima de fogos, senti saudades homéricas, dei meus pulos (do peito) e quase estatelei-me, envolto em bandeira de couro de bode, no túnel que passa por debaixo da rua Olavo Bilac!
  (Não! Creio que tenho de consultar o catálogo!)
  E desci do bonde, quando me dei conta, subindo uma das ladeiras de Olinda!
  Este meu compadre, poeta e músico, topou de frente com ninguém mais, ninguém menos que Alceu Valença, que tirou uma ou duas fotografias, reparou no rebuliço que já provocava nos turistas e adentrou ligeiramente em sua belíssima residência, da qual fez, certa vez, a seguinte revelação:
 
  – Em Olinda, as pessoas não moram: Namoram!
 
Gracejo de Alceu e mil navios a ver um dos meus (sem vias de escapatória)!
  Moral da história? É que se você (artista, ilustre desconhecido e lascado) compõe (desde os primeiros "psius" ou escondidos passos à namorada ou talvez desde os primeiros assombros com os olhos de Deus em seu profanado banheiro), toca (seja violão, gaita, gonguê, sax, agogô, teclado...) e canta, mas não é um Freddie Mercury ou uma doce Marisa da vida [Por que não pôr, aqui, no meio, o "r" entre parêntesis (de modo que fiquem duas)? Simples! Porque se não cedo a modismos de oito meses (Acho que é o tempo de encheção das novelas!), imagine-se o de semanas! Nem tampouco vejo os selos das cartas enfeitadas pelo aval de olhos muy, mas muy familiares!
Tudo bem que são férias, mas hoje em dia, os anjinhos já não desgrudam as asas mais tão cedo (sem cantigas e histórias que não passam do resumo do resumo da sinopse)...]...
  Então, a moral é: Se você compõe, toca e, por fim, canta (Sapateia, não! Já é exagero e despropósito!), ande (ou nade) sempre com seu instrumento em mãos (ou na mochila)! Acredite, meu querido: É como caneta (em ônibus) para a poesia!
 
a 09 de Janeiro de 2009

 

13-01-2009 10:11:00

Aos intelectuais de vitrine e de merda

Aos intelectuais de vitrine e de merda

Durante a noite, ele respondeu a tudo como se fosse genial. Sabe falar da Rússia antiga, da China moderna, de Bukowisk e Machado, de Bach. Ele entende também de arte circense, arte moderna, conceitual, dadaísta, poética, surrealista, política, ritmos, cores, formas e é ateu. Ele diz que não tem rótulos para ele mesmo. Diz, achando, não sabendo, que é original. E toda vez que fala, fala altivo, deixando menor o outro. Ele, enciclopédia, tem resposta pra tudo. Parece um robozinho. Ele é artista. Escreve alguns poemas, conversa sobre revoluções, músico, uma vez e outra, mago e mágico, atleta, de esquerda, culto, com frases prontas, e fingindo ser a favor da carapuça, dá opiniões fortes:
_Eles são ignorantes. Não conseguem fazer um projeto que beneficie e ajude a todos.
Ele bronca no discurso e fura na ação. Não ajuda ninguém. Se um dia você precisar de uma carona, porque perdeu o braço em um acidente de carro, ele não dará. Porque se um dia você precisar de uma carona dele, será porque você perdeu o braço. Com ele é assim, drástico. Horas faz-se de céu. Outrora de Lúcifer, anjo torto. Mal ele sabe que é clichê ser torto. “Não posso melar o carro de minha mãe”. Desculpa-se por não dar a carona. Ele bebe, fuma, mostra-se inteligente para todas as mulheres, para os homens, mostra-se melhor, ele come, bebe mais, fuma dos outros, bebe dos outros, ele passa a noite falando tudo em frases de efeito e com humor negro. Fuma maconha, bebe vinho, ele pensa cult, apesar de não gostar dessa palavra. Também é viciado, para mim. Nem um, nem outro, pra ele. Ele não se ilude: na perfeição não existe defeito. Por isso, nada que seja sim para você é sim para ele, o intelectual, factual, homem, ele, ela. Ele sabe falar sobre tudo, fala baixinho, comedido. É humilde. Sim, humilde. Mas só pra ele mesmo. Ele diz, ou melhor, ele finge:
_Eu não sou bom em nada.
Diz assim, com um olhar de quem te xinga de merda, de nada. Ele é o tipo de intelectual que se diz poeta-artista-escritor-músico-pensador-filósofo-equilibrado-diferente-original-antônimo-intrínseco-mais rápido que uma bala-mais forte que o dinheiro-perfeito, que ele também abomina.
Em casa, quando ele chega, é interpelado:
_Filho, você botou a gasolina que pedi, ou usou o dinheiro para outro benefício?
Ele não a responde.
_Você já tem barba na cara, menino, vamos crescer.
Ele sorri. Quem o interpelou não vê.
Ele bate a porta e vai cristalizar-se na prima eternidade do seu quarto.
Segunda-feira, 11 da manhã, ele acorda. Assiste à TV na sala, almoça meio-dia e, com o livro de Rimbaud, volta ao quarto a decorar versos olhando-se no espelho.

 

De José Augusto Sampaio

guto.sampaio83@hotmail.com

17-11-2008 16:19:00

Leia 'Temperado' de José Augusto Sampaio

Temperado

Desde criança ele era visto pelos outros com olhos diferentes. Quando jovem, descobriu sua aptidão para os serviços de casa. Assim, sempre ajudava sua tia. Ele morava com ela, a sua tia amada. Por causa da condição financeira deles, que era muito baixa, ele começou a trabalhar como profissional do lar na casa do vizinho. As pessoas comentavam:
_Uma empregada homem!?
Fazia parte da vida dele ser comentado por todos e por tudo. Uns achavam que era gay, talvez pelo seu cabelo comprido, outros achavam que era garoto de programa, ou otário, louco, travesti, amostrado, sapatão, “você não está vendo os músculos? Mas cadê os seios?”, outros achavam que era viado mesmo, e outros o viam como um ninguém.
Enfim, ele começou a ganhar fama por causa do seu trabalho muito bem feito. Então, conseguiu mais alguns clientes. Depois de algum tempo, já ganhando razoavelmente bem, saiu da casa de sua tia e foi morar sozinho. Todo domingo ele ia visitá-la, pois tinha muito amor e gratidão por ela.
Ele chegava a pegar duas casas por dia e trabalhava seis dias por semana. Sempre reservando o domingo para ir ver a sua amada e idolatrada tia. No bairro onde morava, todos o conheciam e, mesmo quem falava mal dele, queria seus serviços de „empregada‟. A procura era tanta que ele começou a agendar seus dias de serviço. Algumas casas ficavam esperando ansiosas durante dois meses pelo seu trabalho. Mas, mesmo com tanta fama e tanta dedicação com as casas dos outros, ele ainda era comentado. Era só dar as costas e ir caminhando como se estivesse indo para o céu, que as pessoas não perdoavam:
_Nunca o vi com mulheres.
_Também nunca o vi com homens.
_Será que ele pega aquela velha da tia dele?
Ele, depois de quase dois anos de muito trabalho para os outros, e sempre todos os domingos, na hora certa, indo ver sua tia, ele decidiu usar saia.
_Vou usar saia porque é mais fresco. Lavar chão, fazer comida, lavar privada, recolher lixo e limpar todos os cantos sujos de poeira das casas alheias, num sol de 40 graus, não é fácil! Ou seja, quem quiser meus serviços vai ter que me ver de saia.
Para ele, aumentou o trabalho e o alívio diante do calor. Para os outros, aumentou a espera pelo seu trabalho perfeito de casa e os comentários:
_Ele é louco.
_Bicha.
_Pra mim, é um sádico.
_Artista.
_Uma verdadeira puta.
_Ninguém.
Qual é o segredo? Ele mostra:
Todo dia chegar 10 minutos antes da hora marcada para começar o serviço. Esperar a hora certa para tocar a companhia, ou bater na porta. Lavar os pratos de ontem. Preparar os ovos mexidos do patrão, ou patroa. Discretamente, escarrar e cuspir nas gemas. Depois batê-las. Ouvir seu patrão ou patroa, ou os dois elogiarem: _Ficou ótimo! Você botou aquele tempero mágico de novo, não foi?! Às 9 horas da manhã, arrumar toda a sala. Pegar todos os cabelos espalhados no chão, das cabeças dos outros. Limpar todos os móveis, etc.
Agora, são 11 da manhã, enquanto o patrão assiste ao treino livre da Fórmula I e a patroa está no salão, ele vai até o banheiro, levanta a saia até a cintura, e se masturba. Volta à cozinha e, com a mão suja, prepara a salada. Enxugando e escorrendo todo o suor do corpo em cima das panelas, coçando o cu de vez em quando, suando o nariz e dando mais escarros em cima do feijão, ele prepara o almoço. Todos dizem:
_Muito bom!
Ele pensa: então, esperem o momento do jantar, filhos da puta.

 

De José Augusto Sampaio

guto.sampai83@hotmail.com

06-11-2008 17:11:00

Leia 'Mau humor' - Um conto de José Augusto Sampaio

Mau humor

Entro no ônibus e, do lado esquerdo, onde é sombra, tem apenas uma cadeira vaga. Vou até ela, equilibrando-me, e sento. Alguns minutos depois, a mulher que está ao meu lado, toda de branco, como uma enfermeira, levanta-se. Eu levanto também e a deixo sair do canto. Depois que sento, a vejo ir até o cobrador. Ela parece estar pedindo com sinais alguma informação. Por que não pediu para mim? Ela sorri. Belo sorriso. E, duas cadeiras antes do cobrador, senta.
Passam dois pontos, ela não desce do ônibus. Por que saiu de perto de mim? Passam mais quatro pontos e ela não desceu ainda. O que há comigo que a fez sair daqui? Está quase perto de meu ponto e ainda não desceu. Nem olha pra trás, parece que está envergonhada pelo fato de ter levantado do meu lado sem ter motivo. O meu ponto está passando, mas não vou descer. Vou esperar que ela desça e a olhar na cara, pra saber por que saiu do meu lado.
Alguns minutos depois, a „enfermeira‟ levanta e passa por mim sem coragem de me olhar nos olhos. Vou descer aqui também e descobrir qual o problema dela comigo.
_Motorista! Espera que vou descer aqui também!
O motorista breca. Ela, do lado de fora, me olha, enfim. Tive que chamar atenção, pra ela lembrar que eu sou aquele que ela rejeitou a companhia dentro do ônibus. Mesmo que fosse uma companhia silenciada. E ela fez isso por um motivo, que, até então, vejo como pífio e esdrúxulo: aposto que fez isso porque tem preconceito contra homens que têm a fisionomia como a minha.
Ela começa a acelerar seus passos, eu também acelero os meus. Pelo jeito, ela não quer conversar de forma nenhuma. Eu, agora, também não quero. Ela percebe que estou atrás dela e anda mais rápido.
A “enfermeira de araque” começa a suar, eu também. Não aguento esse sol de 45 graus das 13:40h de minha cidade.
Na praça vazia e sem sombra, ela olha disfarçadamente para trás. “Ele está na cola!” – ela pensa.
Percebo que a assusto. Ela aumenta os passos, eu corro e encosto. Ela percebe que eu corri, tenta correr. Eu, sempre mais esperto, dou uma rasteira. Ela cai e bate a cabeça no banco, sangra, suja sua roupa na areia, fica meio zonza.
_Não entendi por que você não gritou antes, se sabia que estava atrás de você. Aposto que é dama demais pra gritar por aí e pra sentar ao meu lado também.
A moça estava com a testa aberta e com o sangue escorrendo, chorando muito. Ele olha ao redor e vê que ninguém a viu caindo ali, naquele canto. Ele a puxa pelo cabelo para atrás do banco.
_Vem cá, sua putinha. O chão deve está pelando. Hein, putinha? - O chão está pelando. Ela chora. Ele chuta duas vezes a sua barriga.
_Cala a boca! Você acha que chorar ajuda alguma coisa?A partir de hoje você não sai mais do lado de ninguém.
Ele pisa em seu pescoço. Pisa de novo com força e, dessa vez, segura seu pé com seu peso, com mais força, em cima do seu pescoço, apertando-o.
_Poderia sorrir agora pra você, mas agora, debaixo desse sol, eu perco meu humor.
Ela, muda de nascença, morta. Ele volta para o ponto, para não se atrasar no trabalho.

 

ASS: José Augusto Sampaio

guto.sampaio83@hotmail.com

30-10-2008 17:53:35

Leia um conto do poeta Luciano Almeida

Atô
 
                                                                          Deus, como é que pode?!
                                                                          Um caboc(l)o no Kabuki...
                                                                           Nem o Diabo fode!!
 
                                                                        A atriz passa mal
                                                                      (E fuma, a não fazer bruma:)
                                                                      Na vida real!

 
  Ora, mas quem diria: Figurando, agora, em jornais, capas de revista, adesivos, livros de auto-ajuda, produtos de beleza e em um segundo cd q está lançando ( - É o que ouvi por aí:), Atoglobaldo, vizinho próximo e amigo de infância (Detalhe: Deixamos de ser moleques há umas duas primaveras daqui. E olha que hoje, conto 27 e ele, 25.).
  (Eitcha, e o que terá havido?! Ah, agenda cheia, para ele, e para mim, bolso vazio.)
  Mas também só estou a escrever esta (salvadora) crônica por me haver ligado o Homem ...ou precisamente o "resolve pepinos" dele. Minha irmã foi quem estava perto, eu estava no banho, e só queria(m - Ele e Atoglobaldo?!) saber se à TV eu poderia ir mentir uns casos e omitir uns outros (impublicáveis) sobre Atô.
  Vixe, mas daí, ele teria de matar Plácido, e Oalísio, e Raimundo...
  Porém, por Deus... que estou a dizer?! É a TV!!
 
  - Não vou! - Gritei, ali, da pia.
  - Estúpido! - Gritou minha educada irmã por cima...
  - Desculpe aí, são as dívidas. - De manso, falando, já ponderou minha doce mãezinha; que, esperta, bem sabia que pior confusão teria, senão pedisse ao "do outro lado" para que ligasse daqui a pouco (- Tempo suficiente, é claro, para mostrar-me o espelho e, por conseguinte, o isqueiro para exterminar-se a crônica!).
 
  - Vai já cortar essa juba! Eu dou a resposta! - Segredou.
E eu:
  - O tempo do Serviço Militar já passou, O.K.?! - Sangrando!
E ela:
  - Meu filho... Deixe de mão essa... essa tal... - Sangrando-me ainda mais!!!
  - Literatura, mãe!
  - É, filho... Que seja! Olha, comprei a Banheiros desse mês, e adivinha quem está na capa?!
 
  Em verdade, Atoglobaldo sempre quis ser ator (- Claro, em seu nome se vê!!) ou sempre foi (...Pelo menos na vida real!): Chorava copiosamente para a mãe e a namorada, sempre almejando alguma cousa (Da mãe - Sempre uma surra no irmão e da namorada - Um ligeiro término sempre às voltas ou vésperas de Carnavais, e Halloweens, e Réveillons...).
  Tsk! Mas sempre relacionar-se um ator ou atriz a um proposital choro é de lascar!!
  Por isso, Atoglobaldo chora apenas ao final de uma novela ou minissérie em que está estrelando: É dos bons, afinal...
  E não é besta: Prefere mil vezes ao mocinho do que ao vilão - Pois fazendo o segundo, em época de vacas magras, formador de opinião que é, mal pôde, enfim, sair de casa...
  Hm... Por isto é que tive, certa vez, a ligeira impressão de ter acompanhado, sempre à hora do jantar(...), uma novela inteira quase, gravada em uma grande mansão!
  O diacho, agora, é que desbotará, de vez, o sem-número de sorrisos que expremeu e das contáveis expressões de choro que obrou: Vai-se Atoglobaldo a um realiy show (só de atores).
  Ah, mas quem sabe, ele não segure por lá um romance, e vá ficando, e (só) ficando... ou ficando (só)! E de tanto agradecer ao Povo, não pense, um dia, em candidatar-se?! Pois talvez seja bem melhor político do que ator(..).
 
  - Não, mô... Pára com isso, ô!
  - Não, mozinho... Pára você com isso, tá?!
  - Não, pára você!
  - Não, você...
  .................................................................................................................
  - Ou! Dá pra namorar um pouquinho mais baixo aí?!
 
  Ainda bem que esse namorado novo reside apenas a umas duas quadras de nós! Do contrário...
  Vixe Maria! É Plácido; que vez em quando, faz, junto com Raimundo, umas pontinhas como (promissor) camelô, ou (queimado) mendigo, ou traficante (morto) na emissora rival!!
  Mas acho que não há problema para os dois: Têm segundos, afinal, e não são astros como Atô!
  Mas talvez se mudar o sotaque, talvez também não mude a dulpa de emissora?!
  Eu teria, pobre de mim, para essa entrevista, antes que destrancar a porta, ir ao salão, fazer algumas dívidas (a mais), comprar roupas novas e chorar (demais) com Atoglobaldo, fazendo-o recordar-se de uns finais de novela ou minissérie, sobretudo!
  E é muito, pois não sou tão bom nas artes cênicas ...e nem tampouco nas de velhacaria!
  Ademais, já devem de ter ligado, e minha doce mãezinha chorado, e minha caída irmã sentado e assim ocupado ainda mais a linha telefônica, e o meu querido Oalísio, jornalista engajado, olhado o relógio e esperado, como nunca, esta crônica (ínfima) que não sai.
  É, mas destranco a porta...


ASS: Luciano Almeida
 

25-08-2008 13:24:08

Poeta Marsone Araujo publica poema no Dias Normais

 

entre a vida e a lida da morte

 
Vasculho o cotidiano entre a vida e a lida da morte
Preparo do novo interte a cama do feio erótico
Caibo num fio de pintura à sujeira do dia a brisa que passa
Acho o aço no verso e distorço o inverso com gritos
        Restos de préstimos agregados a voz
        Corte da carne pregado de nós
        Gama de dentes ardentes pra luta
        Trovas alongadas e embaladas de jeitos
        Eleitos os feitos do peito dos dias

 
        livre lii livros que livram-me das livrarias

 

Marsone Araujo

 

13-08-2008 14:19:33

LEIA: A verdadeira traição da mulher

A verdadeira traição da mulher 

Assistindo a um filme na Tv, que trazia em sua trama traição, sexo, mentiras e verdades, me deparei com uma inesperada do meu marido: Se isso acontecesse com você, o que você faria? A situação, que resultou nessa interrogação, surgiu da cena em que o marido chegava de viagem com atitudes estranhas e encontrava sua esposa, com isso ele confessou que tinha transado com uma prostituta. Ela reagiu friamente e lhe perguntou o porquê dessa confissão, a resposta dele foi que a amava e não poderia viver com aquela mentira. Então ela, que mantinha um caso a mais de um ano, confessou que estava apaixonada por outra pessoa.

Mas voltando a pergunta a mim feita, eu disse a resposta rapidamente, como num impulso, “não sei”, se fosse há algum tempo atrás, contaria seu pênis, mas hoje, sinceramente, não sei. A única certeza é que algo morreria dentro de mim. 

Acredito que a traição é um calo que incomoda homens e mulheres (traídos, é claro). Pensar que aquela pessoa que você convive e partilha sua vida e seus momentos mais íntimos, fez sexo com outro(a), é realmente muito desagradável, mas acredito que existe pesos e medidas diferentes para ambos os lados (homens e mulheres, amantes à parte). Numa visão, até certo ponto machista, o homem por uma questão cultural tem (ou acha) necessidade de contar vantagem, como se fosse uma auto-afirmação, dizendo que “pegou uma gostosa aqui e outra ali”, numa naturalidade fria, sem arrependimentos. Mas quando uma mulher chega ao ponto de trair seu companheiro, é (geralmente) porque ela já cansou. É isso mesmo, cansou de bater aquela famosa D.R, de pedir mais atenção, de até mesmo tentar salvar o que já não tem mais salvação.

Sabemos que atualmente as mulheres estão, a cada dia mais, desempenhando um papel muito diferente na sociedade, cada vez mais assumindo papéis extremamente masculinos e assim, tendo uma postura e pensamentos masculinos. Mas deixando esse papo feminista e entrando no X da questão: o que sinto é que as mulheres podem até ir pra cama com outro homem sem envolvimento emocional, “foi uma aventura”, apenas para resgatar sua auto-estima e/ou por outros motivos, mas quando a coisa é séria, é porque teve envolvimento emocional, com certeza.

Como a mulher é vista como “o ser mais emocional”, isso poderia ser muito fácil, pois tem a facilidade de se apaixonar. Porém ela poderá estar ligada a outro homem sem ao menos ter chegado aos “finalmentes”.  Quando encontra um homem que esteja disposto a ouvi-las, que se interessem por suas idéias e opiniões, que a valorizam, aí sim elas entram no terreno da verdadeira traição. Se os homens soubessem o poder do beijo, eles beijariam suas mulheres com intensidade, aquele famoso beijo de novela, pois um beijo gostoso vale mais que um orgasmo, e muitas mulheres usam o beijo para medir se vale a pena se entregar á aquele homem que já despertava algo e que mexia com seus sentimentos, e ir para cama com ele, é apenas uma questão de tempo.

 

 

Texto de L. Zwick

18-07-2008 15:05:00

RITA: mais uma mulher que morre no Rio Parnaíba.

Rio Parnaíba


O rio Parnaíba segue. A corrente de água vai rápida. A poluição da cidade se faz sentida em plásticos. Mulheres levam e lavam roupas, meninos nus e meninas peladas correm pela beira do rio, eles riem. Adolescentes tecem olhares para adolescentes. Na ponta da beira do rio, surge dona Rita.
Dona Rita tem 29 anos e mora na beira do rio Parnaíba. Ela tem cabelos lisos negros, olhos grandes arredondados, pernas grossas, canelas finas e raspadas, coxas douradas, rosto de inocência. Usa sandália de couro e tem cintura fina esculpida.
Ela mora com o marido e dois filhos e é bem cuidadosa com a beleza.
De noite os vizinhos se chocam com o amor que vem do seu quarto. Por esse motivo, ela lava a roupa afastada das outras mulheres. E pelo fato de atrair todos os olhares de admiração e desejo, ela atrai inveja. Pro bem ou pro mal, prefere ficar distante das outras lavadeiras. Já insistiu em estar junto, mas elas a ignoram e a olham com desprezo.
Com um pouco de fome, vai Rita trabalhando como dona de casa, fazendo comida (quando tem), cuidando dos filhos, da limpeza da casa, ajudando o marido a catar lixo na rua, ajudando o marido a aguentar a realidade fadada da vida, contanto historinhas de fadas e duendes de outro mundo para os seus filhos, com o peso do olho dos outros nas costas, com o peso do olho dos outros na bunda, nas coxas, vai Rita com o peso das roupas na cabeça, com calos na mão, com a boca carnuda, com a vida torta como a sua assinatura. Lá vai lavar as roupas na beira do rio, mulher de fibra, mãe assídua, com jornada tripla. Multiplicada a outros fatores e motores presentes nela.
Além de viver abaixo da linha da pobreza, Rita, com a saia acima do joelho, até o meio de suas coxas, agacha-se e esfrega uma roupa noutra. “Lavar, lavar, lavar, pra cuidar da casa, da família...” – cantam as outras lavadeiras, longe de Rita. O sol brilha, uma brisa assovia a música. Hoje é quarta-feira. Hoje é dia de Rita. O rio segue e segue belo. Muito mato ao redor e, ao longe, o som das outras lavadeiras cantando. Um som estranho no meio do rio. “Oxe, diacho, o que foi isso?”. Rita pensa, espreita e volta ao seu ofício. As lavadeiras cantam, lavam. A brisa canta, uma sensação de paz domina o lugar, um passarinho passa voando, parecia fugir, mas voava lindamente. Uma flor desabrocha, bem ao lado de Rita, ela não percebe esse fato. Está distraída, concentrada, pensativa (pensando em coisas que eu nunca saberei), linda, com fome, cansada, preocupada com os filhos e com as criancinhas, que viu ontem na TV, morrendo de fome em algum país africano. Coxas douradas molhadas com a água do rio, muito sabão de coco, muita vontade de cortar o cabelo, vontade de estudar, vontade de viver. É Rita levando, lavando, sendo lavada...
Em frente à Rita, uma sombra se forma debaixo d‟água. Quando ela percebe, e vai de olho na sombra, um homem branco e nu sai do rio com os braços abertos. Rita, assustada, tenta virar-se e correr, mas ele está perto demais e a puxa pelos pés. Ela cai e bate a cabeça no chão. Debatendo-se, gritando, tenta levantar-se. O agressor, todo molhado, babando e com olhos vermelhos, agarra os cabelos e bate duas vezes o rosto dela no chão. Ela sangra e grita. O homem nu bate pela terceira vez a sua cabeça. Ela já não grita mais, chora. Ele a puxa pelo cabelo da nuca, puxa a vítima para dentro d‟água. Antes de desaparecerem no rio, ela grita novamente, uma das lavadeiras ouve seus gritos e entoa o canto das outras lavadeiras para que o som fique mais alto. Rita afunda na água e desaparece. No rio Parnaíba, bolas de respiração flutuam e somem. Rita segue, o rio segue, a vida segue, e é levada, lavada, esquecida.

 

De José Augusto Sampaio

guto.sampaio83@hotmail.com

03-07-2008 15:57:39

Poeta 'Mar e Som' publica poema no blog Dias Normais.

Texto do Poeta escovador de palavras e demolidor de poeiras

Entre livros
 
Você me entrega uma poesia
Sinto os nervos deslocarem-se
Tateio com ternura tuas palavras
Sensações nos meus lábios
Procuro desesperadamente tua presença
Meu coração magmático pulando
Dá pinote e saltita percebendo
Tua fuga nos corredores
Vou ao teu encontro
Atropelando distâncias
Você me convida a procurar metáforas
Delírios das coisas
Tenho vertigens
Na biblioteca escorregando sobre livros
Arranco solenemente um sorriso
De tua boca
Os gestos alcançam nossos corpos
“cartografia do desejo”
Mimações acompanham melodicamente
As carícias
Um estranhamento, arranhões hipnóticos
Digo que ando em busca de existência
Olha-me em silêncio e afirma estar
Atrás de algo mais superficial
Cheiros, pelas veredas da biblioteca
Me deixa em estado de cólera
Te entrego Baudelaire
Provocações
A
Fanfarlo
 fico histeroneurastênico.
 
 
ASS: ‘mar e son’
 
e-mail: especulatividade@hotmail.com
blog: ajuntamentomareson1.blogspot.com

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