Meryl Streep vive uma rígida freira que é diretora de uma escola católica na Nova York de 1964. Seu dia-a-dia é zelar pela moral, a disciplina e a obediência dentro da instituição, aplicando castigos aos alunos e supervisionando o trabalho das professoras, como a doce Irmã James. Uma série de eventos leva a protagonista a pensar que o padre do colégio teria abusado sexualmente de um aluno. Logo, a desconfiança vira acusação pública, e a diretora dá início a uma campanha para derrubar o padre.
Indicado ao Oscar em cinco categorias, o filme levanta discussões sobre religião e moral, mostrando que a busca da verdade pode ser uma tarefa árdua e cheia de ambiguidades. O mérito da produção é manter a dúvida no ar e tentar fazer com que o espectador reveja seus preconceitos antes de julgar os personagens.
Com direção de John Patrick Shanley, o longa “Dúvida” é um filme com "elenco de Oscar", o atrativo principal evidentemente é o "duelo de interpretações" entre o padre e a diretora. Ele é superior hierarquicamente, mas Shanley filma o início do conflito de forma invertida: o padre diminuído (filmado de cima para baixo) e a diretora opressiva (filmada de baixo para cima). Até o embate final vêm outras alegorias - a lâmpada, as flores secas, o açúcar, as penas do travesseiro no ar - e algumas causalidades óbvias, como o garoto sofrer quando o padre vira as costas. Ao final, que dá um desfecho ambivalente a essa trama que se previa plana, “Dúvida” se beneficia mais do texto de Shanley (baseado em uma peça de sua própria autoria) do que da sua direção.
Fonte: G1