O site Congresso em Foco mostrou que o sexto andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados era uma espécie de escritório do negócio de venda de crédito de passagens. A maior parte dos acusados de integrar o esquema trabalha ou trabalhava em gabinetes nesse andar.
Ao todo, a investigação da Corregedoria da Câmara menciona 45 servidores, ligados a 39 deputados. Para esses, a Comissão de Sindicância da Câmara recomendou a abertura de processo administrativo-disciplinar. A maioria dos congressistas demitiu os subordinados temendo “contaminação” com a farra das passagens.
Segundo o site a máfia das passagens consistia em obter créditos de passagens para uso exclusivo dos deputados a trabalho em agências de turismo. Esses créditos eram vendidos com desconto a terceiros, que os transformavam em passagens. Para dar os descontos, os agentes obtinham deságios na compra, empréstimo ou antecipações desses créditos com intermediários ou funcionários dos gabinetes. Como mostrou o Congresso em Foco, pelo menos um deputado tentou, ele mesmo, negociar seus créditos acumulados.
Um dos casos divulgados é o de Rosimere, funcionária do Deputado Piauiense Nazareno Fonteles. Segundo o relatório, a servidora Rosimeire Gomes da Silva admitiu ter comercializado, em seu proveito, créditos de passagens. Afirma que o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) nunca teve conhecimento de seus atos.
Rosimere afirma que ficou com R$ 118 mil em créditos do deputado após vendê-los para o agente Vagdar Fortunato Ferreira. O agente Pedro Damião Pinto Rabelo disse que comprou créditos de Rosimeire durante mais de um ano, média de R$ 5 mil a R$ 7 mil mensais. Ou seja, foram mais de R$ 60 mil. As vendas eram feitas com deságio a favor dos operadores de turismo.
Nazareno demitiu Rosimere Gomes em 24 de abril de 2009. Ela exercia o cargo de secretária parlamentar SP-26, com salário-base de R$ 3 mil.
Clique aqui e confira a lista dos envolvidos e o detalhe dos casos.
Com informações do Congresso em Foco