Editoria

Famosos&TV
SIGA O 45GRAUS
Sex, 23-01-2009 ás 13:12:26

Marieta Severo fala do casamento com Chico Buarque

“A minha vida foi direcionada pela ditadura. Minha primeira filha, Sílvia, não nasceu em Roma por opção, mas porque eu e Chico (Buarque) tivemos que sair do Brasil. Lá, era tudo muito difícil e ter feito um parto em outro país foi uma experiência traumatizante”, declarou a atriz Marieta Severo, primeira participante de 2009 da série "Depoimentos para a Posteridade", do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (22).

Ao lado das atrizes Andréa Beltrão e Analú Prestes, da diretora Carla Camurati e do diretor Naum Alves de Souza, Marieta contou, durante quase quatro horas, passagens sobre sua vida desde a infância, o início na vida artística e o relacionamento com o cantor Chico Buarque, com quem foi casada por quase 30 anos e teve três filhas, Sílvia, de 40 anos, Helena, de 39, e Luísa, de 34. Veja abaixo:


 INFÂNCIA
“Não fui uma criança tranquila. Eu era irriquieta e até um pouco insuportável. Estudei no Instituto Metodista Bennett, no Flamengo, dos 3 aos 15 anos. As professoras reclamavam que era quase impossível me fazer parar porque, enquanto as outras crianças comiam, na hora do recreio, e depois iam dormir, eu ficava de um lado para o outro. Mas eu era uma boa aluna, para compensar os meus problemas comportamentais.”


 ADOLESCÊNCIA

“Na década de 1960, o 'natural' era que as mulheres estudassem para ser professoras e eu tinha o chamado 'jeito' de lidar com as crianças. Comecei a frequentar o Instituto de Educação mas, passado um tempo, aquilo tornou-se uma chatice. No segundo ano, fui para o Colégio Estadual Inácio Azevedo Amaral, que era em frente ao Tablado, no Jardim Botânico, então, surgiu um interesse em atuar, comecei a frequentar o teatro.


Eu me matriculei aos 17 anos, estudei durante dois anos e em seguida comecei a trabalhar. Minha primeira peça foi "As Feiticeiras de Salém", do diretor João Bethencourt. Minha adolescência era a típica do jovem carioca: ia à praia, lia muito, gostava de música, e tive a oportunidade de conviver com gente bacana e interessante, como Nelson Motta, Leila Diniz e Dori Caymmi, por exemplo.”


 CHICO BUARQUE
“Nos conhecemos quando eu estava trabalhando no espetáculo "O Bicho", entre 1966 e 1967.O Chico tinha vindo ao Rio fazer um show, se não me engano, com a Odete Lara, que nessa época cantava com o grupo MPB4. O Hugo Carvana, nosso amigo em comum, o levou para assistir a peça, e, depois, quando saí, o Chico começou a dizer umas gracinhas para mim (risos). Lembro que estavam lançando aquele boneco antigo, o MUG, e ele tinha um (risos). Nós começamos a sair à beça, íamos a Copacabana, e nos tornamos namorados.”

 DITADURA
“Nossa geração foi afetada pela questão política. Eu não fiz parte de nenhum movimento, mas eu tinha ideias, ia a passeatas, sabia o que acontecia. No final de 1968, veio o AI-5 e grandes artistas foram presos ou mandados para o exílio, como foi o nosso caso. Minha vida foi direcionada pela ditadura. Eu e Chico fomos para Roma, eu estava grávida da Sílvia. Lá, nós recebíamos recados do Brasil para não voltarmos. O Vinícius de Moraes estava com a gente lá, e nos aconselhava a ficar. Permanecemos um ano e pouco.

 Uma das primeiras coisas que fiz foi um curso de italiano a jato, porque eu, grávida, não conseguia nem falar com o médico. Lá, era tudo muito difícil e ter feito um parto em outro país foi uma experiência traumatizante. Minha primeira filha, Sílvia, não nasceu em Roma por opção, mas porque eu e Chico tivemos que sair do Brasil. A ditadura determinou tudo.


Lembro que o Chico e o Toquinho, que nessa época também estava lá, abriam os shows da cantora Josephine Baker. Coitados, o público não sabia quem eram eles. Mas pelo menos o leite da Silvinha estava garantido. Voltamos para o Brasil em dezembro de 1970, quando a Silvia já tinha 1 ano e quando eu já estava grávida da Helena.”

 FAMÍLIA

“Adoro a vida familiar, acho que estamos aqui para perpetuar a espécie. Tenho três filhas, seis netos, e acho que a família é a base de tudo. Quando eu tinha 15 anos, o que eu mais queria era ser mãe. E agora eu continuo “avozando” e trabalhando. A minha casa tem cama elástica, picolé para as crianças. Faço tudo para elas ficarem por ali. Às vezes, o que mais escuto é “ô véia, se aposenta”. Mas a véia continua trabalhando mais.”

 "PAPÉIS INESQUECÍVEIS"

“Acho que o melhor papel que fiz no cinema foi, sem dúvida, Carlota Joaquina, que começamos a filmar em 1994. Eu ia para a casa da Carla Camuratti vestida de espanhola, e fiz dois testes, porque eu gostei muito desse papel, era muito confortável fazer aquela mulher feia, não precisava me preocupar com nada.

Depois, em "Pátria Minha" (1994), fiz a Loreta Pelegrini, uma vilã inesquecível, assim como a Alma, de "Laços de Família" (2000). Continuo com "As Centenárias", no Teatro Poeira, junto com a Andréa Beltrão, e, no ano que vem, além de entrarmos no nono ano de "A Grande Família", que é um sucesso e quase um mundo à parte, vou filmar 'Quincas Berro D’água'”, finaliza.

Quem

Veja também