O reajuste do salário mínimo para R$ 510 em 2010, aprovado nesta terça-feira, 22, pelo presidente Lula, foi recebido sem euforia pelos líderes da oposição no Congresso.
Na avaliação do deputado João Almeida (PSDB-BA), líder eleito da bancada tucana na Câmara para 2010, o aumento foi "interessante". "É bom que a economia já suporte esse tipo de alta continuada", afirma o parlamentar baiano. Já o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), considera o novo valor "apenas razoável, consideradas as condições do país".
A partir do dia 1º de janeiro de 2010, o salário mínimo passa dos atuais R$ 465,00 para R$ 510,00. Originalmente, o governo pretendia reajustar o valor para R$ 507, mas decidiu pelo arredondamento para "facilitar o saque" dos beneficiados, segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Com o reajuste, a economia brasileira terá até R$ 26,6 bilhões a mais em circulação, segundo estudo do Dieese; os cofres públicos, por sua vez, devem arrecadar até R$ 7,7 bilhões extras no ano que vem.
Ainda de acordo com a pesquisa, o valor de R$ 510 confere ao salário mínimo seu maior poder de compra desde 1979, permitindo ao trabalhador comprar 2,17 cestas básicas com o soldo. Desde o início do governo Lula, o salário mínimo obteve um ganho real de 53,46%.
Em meio aos números, a oposição alerta para os perigos que o reajuste pode trazer para o déficit da Previdência Social, um dos muitos temas da pauta anterior à crise financeira mundial.
"O valor de R$ 510 é um ponto de equilíbrio entre a necessidade do trabalhador, por um lado, e o déficit da previdência, por outro", diz Agripino. "Não que (o valor) pudesse ser maior, porque um aumento maior poderia aumentar um déficit que já é monstruoso".
Também nesta terça-feira, o ministro do Planejamento afirmou que o reajuste custará R$ 4,6 billhões adicionais às contas da Previdência em 2010.
"Nós propusemos outras alternativas pra segurar o déficit. O governo tem sido negligente com esse assunto", critica Almeida. "Mas não há de ser pelo salario mínimo que esse problema será resolvido, e sim por outras políticas".
Terra Magazine