Se quando falam em basquete vem a sua mente apenas pessoas de 1,90m de altura gingando sobre o próprio eixo é porque você ainda não assistiu a um treino do time de basquete com cadeira de rodas.
A agilidade com as mãos, o equilíbrio do corpo e o manuseio da cadeira são marcas visíveis dos paraatletas do Clube de Basquete Adaptado 40 Graus (CBA) de Teresina. Os 28 atletas treinam 16 horas por semana sob o olhar atento do treinador Rex Jone e preparam-se para participar em setembro do Campeonato Regional/Nordeste para Cadeirantes, em Salvador, e no mês de novembro, do Campeonato Brasileiro da 2ª divisão na cidade de Balneário Camboriú, Santa Catarina.
No ano de 2003, alguns cadeirantes da capital piauiense reuniram-se para jogar basquete por distração e lazer. “Muitos deles vinham de tratamentos no Hospital Sarah Kubitschek e descobriram que a prática esportiva era uma boa oportunidade de socialização”, contou o treinador Rex Jone.
Foi apenas em 2006, que surgiu a primeira equipe registrada de basquete com cadeiras de rodas do Piauí. E de lá para cá o esporte tem crescido e alcançado bons resultados em campeonatos regionais e nacionais. “Este ano disputaremos o campeonato brasileiro na 2ª divisão e nossa meta é chegar a 1ª divisão e tentar realizar um campeonato regional ou mesmo o nacional aqui no Piauí”, disse o treinador.
O CBA é uma equipe bem diversificada e que conta com promessas para o esporte nacional. É o caso de José Filho, 30 anos, que participa de teste para integrar a Seleção Brasileira de Basquete com Cadeiras de Rodas. “Estou confiante e aguardando a convocação. Espero ser selecionado e ainda que não seja, tem sido uma grande experiência treinar com a equipe da Seleção Brasileira. Lá, posso aprender novas técnicas e ganhar um novo ritmo de jogo”, declara.
Para Rex Jone, treinador do CBA, promessas do esporte como o paratleta José Filho são uma motivação a mais ao trabalho. “Revelar potenciais como José Filho nos motivam a prosseguir, mas antes disso, ver o crescimento deles como pessoas, como cidadãos, vai além das dificuldades que enfrentamos”, revelou.
A equipe do CBA acabou de ganhar dez novas cadeiras de rodas adaptadas para a prática esportiva. As novas cadeiras permitem giros de 360º e tornam os paratletas mais competitivos. Ewagno Silva treina basquete há dez anos e destaca as melhorias que os novos equipamentos proporcionam. “Essas novas cadeiras nos permitem mais velocidade, mais mobilidade, o que nos torna mais competitivos e nos dá mais chances de obtermos bons resultados nos campeonatos”, disse.
Ewagno Silva encontrou no esporte a oportunidade de recomeçar a vida e descobriu habilidades até então desconhecidas. “No basquete, fiz muitos amigos e mudei meu jeito de encarar a vida. Sou feliz por fazer parte do CBA e estar indo disputar a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro”, declarou.
Cadeiras de Rodas Adaptadas
As dez novas cadeiras de rodas adaptadas foram entregues pelo governador Wilson Martins, em solenidade no Palácio de Karnak. As cadeiras são as mais modernas e apropriadas à prática do basquete por pessoas com deficiência e custaram R$ 44 mil, a partir de convênio entre as Secretarias Estaduais para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid), da Assistência Social e Cidadania (Sasc) e a mineradora Vale.
