AFP | El País - 21-09-2010
Tradução de Antonio de Freitas
A NASA prepara a última missão da Discovery. O ônibus espacial americano foi levado à plataforma de lançamento 39 do Centro Espacial John F. Kennedy em Cabo Canaveral, Florida, onde, se tudo sai como está previsto, decolará no próximo 1º de novembro rumo à Estação Espacial Internacional. A mítica nave se aposenta após 30 anos de serviço, três décadas nas quais realizou façanhas como lançar o telescópio espacial Hubble e pôr em órbita a sonda Ulysses.

Tradução de Antonio de Freitas
A mítica fotografia realizada por Annie Liebovitz no última dia de vida de Lennon, na que aparece abraçado a Yoko Ono, e que foi capa da revista Rolling Stones, será leiloada no próximo dia 19 de outubro.
Somente existem 40 copias desta imagem, e se acredita que seu preço final pode alcançar os 10.000 euros. A fotografia pertence a um colecionador privado, e sua venda não está relacionada com a ingente dívida de Liebovitz.

ANTONIO FRAGUAS GARRIDO – El País - 12/09/2010
Tradução de Antonio de Freitas
Este ano se comemora o 75º aniversario de nascimento de Elvis Presley. Abundam as webs de tributo
1. O grande
www.elvis.com
O portal oficial sobre Elvis é o lugar para se iniciar no mito e no ser humano real. Além de muita informação, conta com vídeos, fotos, zona de admiradores e um planificador multimídia para percorrer o mundo da estrela.
2. De compras
www.shopelvis.com
A loja virtual e oficial de Elvis leva a um novo nível o conceito de merchandising. Está ordenada tematicamente e se pode adquirir qualquer produto imaginável: desde um refrigerador de latas de refrigerantes até sues famosos trajes de lantejoulas (com capa) ou um boneco Senhor Batata Elvis.
3. Para escutar
www.elvisthemusic.com
Este portal com versão em espanhol está centrado na música do roqueiro. Conta com podcasts (arquivos de sons ordenados cronologicamente) com canções e com uma zona comercial para comprar sua discografia.
4. Por suas próprias palavras
http://interviews.elvis.com.au
“Acho que sou apenas um rapaz do sul”. Esta e outras centenas de declarações estão publicadas neste portal australiano que recopila todas as entrevistas que concedeu Elvis. Há transcrições, mas também vídeos e arquivos sonoros.
5. De museu
http://rockhall.com/inductees/elvis-presley
A figura de Elvis ingressou no respeitado Hall of Fame (Salão da Fama) dos Estados Unidos em 1986. Junto a seu nome estavam os de gênios como Chuck Berry e Little Richard. Nessa página oficial se conta como foi a cerimônia. Também se pode ver os objetos de Elvis exibidos no museu.
6. O arquivo
http://www.dmoz.org/Arts/Music/Bands_and_Artists/P/Presley,_Elvis
O Open Directory Project é o maior índice de Internet mantido e organizado por seres humanos (e não por máquinas). Conta com uma seção dedicada a Elvis que funciona como um grande arquivo organizado por categorias: descargas, filmes, clubes de fãs…
7. Admiradores
http://idd01chy.eresmas.net
Em espanhol há vários clubes de admiradores de Elvis. Este, criado em 1991, assegura contar com o reconhecimento “de Graceland”. Além de muita informação, contam com um chat todo primeiro domingo de cada mês, um programa de rádio (La hora Elvis) e organiza reuniões.
8. Curiosa
http://rareelvispresley.com
Esta web um tanto caótica oferece conteúdos em vídeo, como a seção dedicada ao médico pessoal de Elvis, a panorâmica de 360 graus da cidade de Memphis e o especial sobre os alfaiates do cantor…
9. Na telona
http://www.elvisthemovies.com
Dizem que é como viver um concerto de Elvis: um documentário ganhador de um Globo de Ouro, remasterizado em alta definição, Elvis on tour, e também a caixa de DVD do 75º aniversario: 17 filmes nos quais atuou o roqueiro. Esta é a web oficial destes lançamentos.
10. Vive?
http://www.truthaboutelvis.com
As especulações sobre a morte de Elvis estão bem vivas. O realizador Adam Muskiewicz fez em 2005 um exaustivo documentário intitulado ‘A verdade sobre Elvis’. Em sua página web segue recopilando testemunhos e elementos que provariam que o Rei do Rock segue vivo.

"Há uma demonização de Chávez"
ÓSCAR GUTIÉRREZ – El País - Madri - 10/09/2010
Tradução de Antonio de Freitas
O relógio, para Eduardo Galeano (Montevidéu, 1940), ainda marca a hora da capital uruguaia, mesmo que o ruído que entra epela janela e atrapalha a conversa seja da ‘Puerta del Sol’ (Madri). "Desculpa se digo muitas bobagens. É o jet lag". As cinco horas que separam Madri da capital uruguaia deixam maluco o autor de ‘As veias abertas da América Latina’. O escritor visitou a Espanha para participar da Semana da Cooperação que organiza a AECID e a agencia Inter Press Service, oportunidade que aproveita para "dar uma olhada no mundo de hoje, um mundo ao revés".
Pergunta. Vargas Llosa escreveu que ainda se considera jornalista. E você?
Resposta. Sim, mas há uma tradição que acredita que o jornalismo é um exercício que se pratica abaixo da literatura, e no alto do altar está a criação do livro. Não compartilho dessa divisão de classes. Acredito que toda mensagem escrita forma parte da literatura, inclusive os grafites dos muros. Faz tempo que, sobretudo, escrevo livros e muito poucos artigos. Mas me formei nisso e tenho a marca de fábrica. Agradeço ao jornalismo por me haver tirado da contemplação dos labirintos de meu próprio umbigo.
P. Em algumas ocasiões você cita a frase anônima: "Nos urinam e os jornais dizem que chove". Continua chovendo?
R. É um grafite que vi numa rua de Buenos Aires. Os muros são a imprensa dos pobres. Continua chovendo. Começando pela imposição de uma linguagem mentirosa. Quando chamam os mercenários de contratistas mentem; quando chamam de catástrofes naturais os desastres que o mundo sofre mentem também, porque a natureza não tem a culpa dos crimes que se cometem contra ela; se invoca à comunidade internacional e se referem a um clube de banqueiros e guerreiros que dominam o mundo.
P. Faz tempo que não escutamos que a imprensa é o quarto poder. Baixamos um degrau?
R. Não. Apenas se desenvolveu outras formas de comunicação que te devolvem a confiança que este mundo, ao contrário, é um centro de paradoxos interessante. Internet nasceu à serviço da indústria militar, e logo se converteu noutra coisa distinta. Multiplicaram-se as vozes não escutadas que soavam em cabanas de madeira. Contribuiu para o desenvolvimento de formas alternativas de comunicação. Eu sou pré-histórico e necessito que um jornal me queime as mãos, o odor da tinta e do papel. Tampouco posso ler um livro num monitor. Agrada-me muito o papel na mão, o livro que apoio contra o peito, e escuto, pondo-o junto à orelha, as palavras que transmite mesmo que às vezes parecem mortas no papel.
P. O encontro da AECID e IPS pretendia implicar aos meios num "desenvolvimento más inclusivo". Esquecemos de incluir alguém ao contar a crise?
R. Houve uma manipulação, creio que não inocente, dos grandes meios de comunicação de tal maneira que os autores da catástrofe, os banqueiros de Wall Street, terminaram em algo similar à inocência até acreditar que a culpa da crise era da Grécia. Porém, também há vozes alternativas que soam como as rádios comunitárias. Foram depreciadas e perseguidas em muitos países, porém agora encontraram seu lugar. As vozes das pessoas, sem intermediários, soam mais verdadeiras.
P. Existe uma menor implicação ideológica do jornalista?
R. Qualquer forma de apoio à diversidade das vozes humanas me parece estimulante, tenha a forma que tiver, ponha a etiqueta que pôr. Creio na diversidade da condição humana. O melhor do mundo é a quantidade de mundos que tem. Em “Espelhos - uma quase historia universal” (2008) tentei abarcar o mundo sem fazer caso das fronteiras, do mapa ou do tempo para celebrar a diversidade.
P. Os episódios de violência contra a imprensa nos anos setenta na América Latina se repetem em nossos dias. É possível livrar o jornalista da coação?
R. Há espaços de independência que é possível abrir. Na Argentina dirigi a revista cultural ‘Crisis’. Mas tive que ir embora porque a revista preferiu ficar parada e não se inclinar diante da vontade do golpe militar triunfante que implicava numa censura cada vez pior. Porém, enquanto durou foi uma experiência extraordinária. Chegamos a vender 35.000 exemplares. Para os militares havia algo de subversivo porque se dava a palavra aos que haviam nascido para ter a boca fechada. Minha experiência de vida me ensinou que todos nós temos algo a dizer aos demais, algo a fazer pelos demais, celebrado ou pelo menos perdoado. Algumas vozes ressoam e outras não. Há muitos que estão condenados ao silêncio eterno. Às vezes as vozes desconhecidas, depreciadas, ignoradas são muito mais interessantes que aquelas do poder e seus múltiples ecos.
P. Na Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, os governos andam às turras com os meios de comunicação...
R. As generalizações correspondem a uma visão de nossa realidade, a latinoamericana ou do sul do mundo, que o norte tem. Os fracos, cada vez que tentam se expressar ou caminhar com suas próprias pernas tornam-se perigosos. O patriotismo é legítimo no norte do mundo e no sul se converte em populismo ou, pior ainda, terrorismo. As noticias são muito manipuladas, dependem dos olhos que as veem ou do ouvido que as escuta. A greve de fome dos índios mapuches no Chile ocupa pouco ou nenhum espaço nos meios que mais influência tem, enquanto que uma greve de fome na Venezuela ou em Cuba merece a primeira página. Quem são os terroristas? São piratas os que assaltam os barcos ou os que pescam violando as leis e os limites?
P. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, é um dos que andam brigados com a imprensa. Temos veredicto com ele?
R. Há uma demonização de Chávez. Antes Cuba era a má do filme, agora já não tanto. Mas sempre há algum mau. Sem mau, não se pode fazer um filme. E se não há gente perigosa, o que fazemos com os gastos militares? O mundo tem que se defender. O mundo tem uma economia de guerra funcionando e necessita de inimigos. Se não existem, fabrica-se. Nem sempre os diabos são diabos e os anjos, anjos. É um escândalo que hoje, cada minuto, se dediquem três milhões de dólares em gastos militares, nome artístico dos gastos criminais. E para isso se necessita de inimigos. No teatro do bem e do mal, às vezes são intercambiáveis como passou com Sadam Husein, um santo do Ocidente que se converteu em Satanás.
Libros en Red - //www.librosenred.com/
Tradução de Antonio de Freitas
Majestades,
Senhoras e senhores,
O destino do escritor é estranho, mas todos os destinos o são; o destino do escritor é cursar o comum das virtudes humanas, as agonias, as luzes; sentir intensamente cada instante de sua vida e, como queria Wolser, ser não somente ator, mas também espectador de sua vida. Também tem que recordar o passado, tem que ler os clássicos, já que o que um homem pode fazer não é nada, podemos simplesmente modificar muito levemente a tradição; a linguagem é nossa tradição. O escritor tem uma desvantagem: o fato de ter que operar com palavras, e as palavras, como se sabe, são uma matéria efêmera.
As palavras, como Horacio não ignorava, mudam de conotação emocional, de sentido; porém o escritor tem que se resignar a este manejo, o escritor tem que sentir, e logo sonhar, logo deixar que lhe cheguem as fábulas; convêm que o escritor não intervenha demasiado em sua obra, deve ser passivo, deve ser hospitaleiro com o que lhe chega e deve trabalhar essa matéria dos sonhos, deve escrever e publicar, como dizia Alfonso Reyes, para não passar a vida corrigindo os rascunhos, e assim trabalha durante anos, e se sente sozinho, vivo numa sorte de sonho; porém se os astros são favoráveis, uso deliberadamente as metáforas astrológicas, ainda que deteste a astrologia, chega um momento no qual descobre que não está sozinho. Nesse momento que lhe chega, que lhe chega agora, descobre que está no centro de um vasto círculo de amigos, conhecidos e desconhecidos, de gente que leu sua obra e que a enriqueceu, e nesse momento ele sente que sua vida foi justificada.
Eu agora me sinto mais que justificado, me chega este prêmio, que leva o nome, o máximo nome de Miguel de Cervantes, e recordo a primeira vez que li o Quixote, ali pelos anos de 1908 ou 1907, e creio que senti, naquele momento, o fato de que, apesar do titulo enganoso, o herói não é dom Quixote, o herói é aquele fidalgo manchego, o senhor provinciano que diríamos agora, que à força de ler a matéria da Bretanha, a matéria da França, a matéria de Roma, a Grande, quer ser um paladino, quer ser um Amadís de Gaula, por exemplo, ou Palmerín ou quem fosse, esse fidalgo que se impõe essa tarefa que algumas vezes consegue: ser dom Quixote, e que ao final comprova que não o é; ao final volta a ser Alonso Quijano, ou seja, que há realmente esse protagonista que costuma se esquecer, este Alonso Quijano.
Quero dizer, também, que me sinto muito comovido. Tinha preparadas muitas frases que não posso recordar agora, porém há algo que não quero esquecer, e é isto: comove-me muito o fato de receber esta honraria das mãos de um Rei, já que um Rei, como um Poeta, recebe um destino, aceita um destino e cumpre um destino e não o busca, ou seja, se trata de algo fatal, lindamente fatal, não sei como dizer minha gratidão, somente posso dizer meu incalculável agradecimento a todos vocês...
Muito obrigado.

DAVID ALANDETE – El País - 09/08/2010
Tradução de Antonio de Freitas
Tony Judt, um dos historiadores e pesquisadores da Europa do final do século XX mais respeitados em sua profissão, faleceu na sexta-feira (06/08/2010) em sua residência de Nova York, segundo confirmou a Universidade de Nova York, para a qual trabalhava como professor. Tinha 62 anos e havia padecido, durante quase dois anos, dos devastadores efeitos da doença de Lou Gehrig, ou esclerose lateral amiotrófica.
Judt nasceu no seio de uma família judia do Reino Unido em 1948. Em sua juventude viveu num kibutz em Israel. A experiência na fazenda coletiva constituiu uma etapa importante de sua formação e lhe marcou como sionista de esquerda durante alguns anos. Chegou a servir como motorista voluntario na Guerra dos Seis Dias, que enfrentou Israel contra a coalizão de países árabes em 1967.
Aquele fervor sionista de juventude, contudo, não durou muito. Prontamente mudou seu esquerdismo com toques radicais por uma postura mais social-democrata. E, em seus textos, criticou não apenas o poder e a proeminência internacional dos Estados Unidos, mas também o peso das instituições judias dentro da arquitetura política norte-americana.
Sua obra mais famosa, publicada em 2005, é ‘Posguerra: Uma historia da Europa desde 1945’, uma crônica monumental do continente nos anos posteriores à II Guerra Mundial. Em sua análise, Judt afirma que a cooperação dos países europeus nos 30 anos posteriores à queda de Adolf Hitler demonstra que o pacifismo e o multilateralismo podem gerar uma estabilidade e uma prosperidade duradouras. Com ‘Posguerra’ ficou finalista ao Prêmio Pulitzer em 2006.
"América terá o maior Exército e a China criará mais produtos, e mais baratos", escreve na conclusão do livro. "Porém, nem a América nem a China dispõem de um modelo útil que sirva universalmente. Apesar dos horrores de seu passado recente - e em grande parte, graças a eles-, eram os europeus os que agora estavam genuinamente posicionados para oferecer ao mundo algum modesto conselho sobre como evitar repetir os erros do passado. Poucos haveriam dito há 60 anos, mas pode ser que o século XXI ainda pertença aos europeus".
Era professor da Universidade de Nova York desde 1987. Nessa instituição ajudou a fundar o Instituto Remarque, onde pesquisava e ensinava historia recente de Europa. Judt conta com nove livros, sobretudo respeitadas análises nesse campo. Ademais, colaborava com a revista New York Review of Books, na que consagrou sua mudança de ideas sobre o conflito árabe-israelense.
Num texto polêmico de 2003, proclamou que Israel era um "anacronismo" e pediu a criação de um Estado binacional para árabes e judeus. Um de seus últimos artigos defendia que as críticas aos atos de força do Executivo de Israel não estão motivadas pelo antissemitismo e que o abuso deste qualificativo era perigoso para a memória do Holocausto.
No outono de 2008 foi-lhe diagnosticado esclerose lateral amiotrófica (ELA), que provoca uma progressiva paralisação dos músculos. Trata-se da mesma doença degenerativa que padece o cientista Stephen Hawking. Judt estava paralisado de pescoço para baixo. Custava-lhe tragar, falar, inclusive sustentar a mandíbula. Necessitava ajuda para praticamente tudo.
Ao longo de seus últimos meses, escreveu sobre sua doença e sobre suas impressões da vida, o que representou um giro na sua carreira e a inauguração de uma nova etapa de reflexão muito mais pessoal. Em questão de meses, Tony Judt se converteu em tetraplégico, necessitando de um tubo de oxigênio para respirar. Sua mente, porém, estava intacta, e seguiu produzindo suas lúcidas análises sem qualquer tipo de interrupção, até seu último dia de vida.

Uma escavação levanta a polêmica sobre a localização do único recinto romano de Tarragona que permanecia desaparecido
F. B. - Tarragona - 29/07/2010
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
Acabou o debate: o único templo romano documentado de Tarragona que permanecia perdido estava oculto durante um par de milênios no subsolo da catedral. Até agora. Após quase três séculos de polêmicas e controvérsia entre arqueólogos, uma escavação codirigida pela Prefeitura, o Governo provincial e o Arcebispado de Tarragona -proprietário da catedral assentada sobre o recinto romano- localizou os cimentos do templo e de parte da escada construída para aceder a seu interior, a uns dois metros de profundidade, quase no coração da basílica.
Os trabalhos não permitiram por enquanto determinar o período exato da construção romana, cujo templo erigido em homenagem ao imperador Augusto se conhecia graças à obra de Tácito. Os trabalhos deste pesquisador romano permitem presumir que o templo foi mandado construir no ano 15 d.C. Os arqueólogos consideram válido, sem provas concluintes, que foi edificado ao redor do século I d.C. A catedral de Tarragona, por sua vez, foi erguida no século XII sobre os cimentos de uma catedral visigótica, que por sua vez se sobrepôs ao mesmo templo romano. A escavação revelou que a estrutura deste santuário dedicado a Augusto estava composta por um recinto de oito colunas, uns 30 metros de altura e 45 de largura que em sua época se erguia quase 25 metros do solo.
Após confirmar o achado, o trabalho dos arqueólogos consistirá em pôr em ordem o quebra-cabeças cronológico que se amontoa na basílica de Tarragona. "Trataremos de determinar com maior precisão que construção e de que época ocupou este espaço no qual se encontrava o templo. Tentaremos fazer uma espécie de mapa do tempo", assinalou Imma Teixell, a arqueóloga municipal responsável pelo projeto. Os dados obtidos serão copilados numa documentação que será publicada no final do ano.
O último templo de Tarraco se esconde sob a catedral
FERRAN BALSELLS - Tarragona – El País - 03/07/2010
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
A areia milenar que se esconde debaixo do piso da catedral de Tarragona reapareceu ontem (02/07) pela primeira vez desde o século XIV para que os arqueólogos pudessem aceder às ruínas do templo de Augusto, último santuário romano da cidade cujo rastro segue desaparecido. Os trabalhos, dirigidos por técnicos da Prefeitura, do Governo provincial e da Conferência Episcopal Tarraconense, se estenderão até o dia 31 de julho para certificar o final da maior incógnita de Tarraco: o templo erigido no século I em homenagem ao imperador romano, que se instalou na cidade entre os anos 27 e 24 antes de Cristo. Todos os indícios, incluídas as prospecções geofísicas realizadas em 2007, situam este santuário no coração da catedral.
Os especialistas consideram provado que a catedral foi erguida no século XII sobre os cimentos de uma catedral visigótica, por sua vez edificada sobre uma mesquita árabe que havia sobreposto a um templo. "É o templo de Augusto ou algo muito parecido", assegura Josep Maria Macies, arqueólogo do Instituto Catalão de Arqueologia Clássica. Os técnicos admitem que a certeza do achado é quase absoluta. A procura pode ser seguida diariamente através do blog http://blogs.sapiens.cat/recercatempleaugust, criado pelos responsáveis da escavação.

RAFA CERVERA – El País - Babelia – 19/06/2010
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
Patti Smith, antiga e eterna companheira do fotógrafo, escreve as memórias de ambos desde que se conheceram em Nova York nos anos sessenta e que o artista lhe encarregou pouco antes de morrer. O livro, que acaba de ser publicado na Espanha, é um relato comovedor do afã de uns seres dispostos a pôr suas almas a serviço da arte, inspirados por Rimbaud, Dylan, Genet e outros nomes idolatrados.
‘Nada está terminado até que tu o vejas’, lhe dizia Robert Mapplethorpe a Patti Smith quando, esperando sua opinião, ele lhe mostrava aquelas que então eram as suas primeiras fotos. Ambos eram essas crianças a que alude o título, dois talentos tentando florescer na Nova York de finais dos anos sessenta, lutando quase com desesperação por plasmar sua arte e obter um reconhecimento que ninguém se atreveria a negar-lhes hoje. Essa Nova York boêmia, com o hotel Chelsea, o Max's Kansas City, St. Mark's Place e a galáxia Warhol como pontos cardinais, é o cenário pelo qual transcorre este deslumbrante texto biográfico. Através de suas páginas, Smith rende homenagem ao que foi seu amante, cúmplice e, acima de tudo, alma gêmea.
‘Éramos unos niños’ (‘Éramos umas crianças’, em português) conta esse trajeto vital, tomando a estreita relação entre Mapplethorpe e a narradora coprotagonista como nó. Mortos de fome e também cheios de ambição, se apoiaram mutuamente para encontrar seus próprios caminhos artísticos. Assim, descobrimos como Mapplethorpe falava insistentemente a Smith de seu potencial como cantora de ‘rock & roll’; de sua parte, foi ela que o convenceu a abandonar as ‘collages’ e começar a tomar suas próprias fotografias. Os desencontros -motivados em muitos casos pela progressiva imersão do fotógrafo no submundo gay que alimentou o lado mais chocante de seu trabalho- estremeceram em ocasiões a relação. A prosa de Smith é firme, não se deixa levar por rancores nem sentimentalismos, e cumpre de maneira formidável o objetivo buscado: falar do lado humano de um artista que foi polêmico e que em mais de uma ocasião se viu estrangulado pela natureza de sua própria obra. "Robert elevou aspectos da experiência masculina", explica Smith, "imbuindo à homossexualidade de misticismo. Como disse Cocteau de Genet, sua obscenidade nunca é obscena".
A necessidade de escrever sobre seu antigo, ainda que em realidade eterno, companheiro chegou quase no mesmo instante em que tocou o telefone da casa da família Smith e Edward Mapplethorpe comunicou o falecimento de seu irmão, em uma fria manhã de março de 1989. Com uma voz tão poderosa como a que brota de seus poemas e canções, Smith nos mostra esse itinerário compartido, recheado de piadas e salpicado por personagens tão únicos como o momento histórico - que vai de 1967 a 1978 - no qual se desenvolve o núcleo do texto. As noites no quarto detrás do Max's Kansas City, onde o apolíneo Mapplethorpe é desejado pela corte de Warhol, ao mesmo tempo em que a andrógina Smith é completamente ignorada, até que decide cortar o cabelo à Keith Richards e consegue captar a caprichosa atenção dos ilustres paroquianos. Os encontros com Corso, que citando a Mallarmé assegura que os poetas não terminam os poemas, os abandonam; e com Ginsberg, que tentou ficar com ela ao confundi-la com um rapaz enquanto ela se morria de fome diante de um sanduíche que não podia pagar. Um encontro com uma desolada Janis Joplin à que Smith lisonjeia chamando-a "pérola" (‘pearl’, em inglês), palavra que se converterá no título do álbum póstumo da texana. Porém, acima destas e de outras piadas, ‘Éramos unos niños’ é também o sólido e emotivo relato da relação simbiótica entre dois personagens que não pareciam estar completos sem o outro. E nos mostra o comovedor afã de uns seres dispostos a pôr suas almas a serviço da arte, aferrados a seus respectivos sonhos, inspirados por Rimbaud, Dylan, Genet e outros nomes idolatrados.
Smith conta como se alternavam para entrar nas exposições de museus que lhes interessavam, porque o dinheiro não dava para duas entradas. Em uma ocasião, quando ela, maravilhada, se dispunha a narrar-lhe as obras que havia visto, ele cortou-a dizendo: "Algum dia entraremos juntos para ver as exposições e, ademais, a obra exposta será nossa". Nenhum dos dois imaginava então que suas vidas se converteriam em existências lendárias, uma historia digna não somente de ser contada, mas também de ser admirada. Uma apaixonada e apaixonante odisséia vivida em uma época na qual comprometer-se com a própria necessidade era quase um ato heróico. Consciente, talvez, de que aqueles dias que intercambiaram suas energias formam também parte de sua obra, pouco antes de falecer Mapplethorpe pediu a Smith que escrevesse a historia de ambos. Agora, aquela velha frase, ‘nada está terminado até que tu o vejas’, se revela como algo profético. Porque a historia foi contada através do olhar e do verbo da única pessoa capaz de elevá-la ao nível que merece.

EFE - Rio de Janeiro - El País - 22/06/2010
Tradução de Antonio de Freitas Jr
O arquiteto espanhol Santiago Calatrava apresentou no Rio de Janeiro a maquete de seu próximo projeto, o ‘Museu do Amanhã’, uma instituição dedicada à sustentabilidade e à ecologia que será construída na zona portuária da cidade. "Este é o projeto museístico mais importante que já fiz em toda minha carreira", assinalou o arquiteto, que mais uma vez inspirou-se no mundo vegetal para desenhar as linhas do edifício, esta vez nas formas da mata atlântica característica da região.
Em uma original apresentação do projeto, Calatrava fez ao vivo um croqui do que será o Museu do Amanhã, onde se apresentarão exposições sobre ciência, tecnologia e conhecimento com o objetivo de conscientizar sobre o futuro e a necessidade de adotar atitudes mais ecológicas. "A intenção é fazer um museu com um impacto econômico ínfimo: com materiais reutilizáveis e que seja energeticamente suficiente", afirmou Calatrava, que espera que o edifício sirva de exemplo para uma filosofia de vida mais sustentável.
Estrutura do edifício
Na maquete apresentada, o estilo do espanhol se percebe de imediato no exterior do museu, que constará de duas plantas e tem "uma estrutura simples, fácil de reconhecer, mas acima de tudo acessível”. O nível inferior estará rodeado por dois estanques de água que chegam até o mar, para refletir a importância deste bem, e ficará delimitado por duas zonas verdes que permitirão o acesso desde qualquer parte da alargada estrutura.
O teto do piso superior, ao qual se poderá aceder por duas rampas,estará composto por múltiplas placas solares que mudarão de posição durante o dia e oferecerão uma silhueta mutante ao visitante. "Deve ser um edifício vital porque é um museu sobre a vida", assegurou o espanhol, que valorou que a obra ofereça "uma pedagogia simples" às gerações futuras, para que sejam conscientizadas sobre a importância de conservar o meio ambiente.
As autoridades da cidade explicaram que o museu também servirá para revitalizar o porto do Rio de Janeiro, zona que na atualidade alberga uma feira e que no futuro deverá alojar parte das instalações logísticas dos Jogos Olímpicos de 2016. O Museu do Amanhã ocupará uma superfície de 12.500 metros quadrados no porto da cidade, terá um investimento de 130 milhões de reais (uns 73 milhões de dólares) e será inaugurado a finais de 2012, com motivo da Conferencia sobre Desenvolvimento Sustentável que a ONU organizará no Rio de Janeiro.

ANTONIO FRAGUAS – El País - Madrid - 16/06/2010
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
A Biblioteca Nacional da Áustria (BNA), uma das cinco maiores coleções do mundo de livros e documentos dos séculos XVI a XIX, firmou um acordo de 30 milhões de euros com o buscador informático Google para digitalizar os 400.000 volumes desse período (120 milhões de páginas), informa a BNA num comunicado.
Esta instituição, localizada no palácio de Hofburg, em Viena, segue os passos de bibliotecas de renome como as das universidades de Roma, Florença, Harvard, Stanford e Oxford (também a Complutense de Madrid e do Institut d'Estudis Catalans) e permite assim o Google ampliar seu catálogo de 12 milhões de livros digitalizados, um projeto que desatou críticas de editores, governos e especialistas em direitos autorais que acusam o buscador de monopólio.
"Na Europa há poucos projetos semelhantes a este. É um passo importante", declarou numa coletiva de imprensa a diretora da BNA, Johanna Rachinger.
O acordo, o maior da Áustria dentre aqueles que reúnem iniciativa pública e privada, estabelece que o Google assumirá o custo da digitalização (de 50 a 100 euros por livro). A BNA custeará os gastos de preparação dos volumes para sua digitalização, ademais de armazenar os dados e fazê-los acessíveis ao público, informa o jornal Die Presse.
Os volumes escaneados, todos livres de direitos, estarão disponíveis aos internautas tanto na página do Google Livros, como na da biblioteca digital Europeana (www.europeana.eu) e na da própria BNA (www.onb.ac.at).
"Dado que os originais não podem ser consultados em nenhum caso, o processo de digitalização contribuirá também para a preservação desta valiosa coleção de livros", assinala a nota.
Um plano controvertido
Em 2005, Google Books começou a escanear livros e a oferecer fragmentos destes na Internet, alguns deles protegidos por direitos autorais. Em outubro de 2008, após duas ações judiciais, o buscador se viu obrigado a assinar um acordo milionário para indenizar autores e editores nos EUA.
O conteúdo do referido acordo ainda não foi ratificado pelos tribunais; de fato, o juiz que leva o caso obrigou às partes a introduzir no pacto mudanças substanciais após as queixas do Departamento de Justiça dos EUA, do governo alemão, dos especialistas em propriedade intelectual e das organizações de consumidores, que acusavam o Google de monopólio.