A versão de produção do Nissan GT-R foi apresentada ano passado no Tokyo Motor Show. Foi lá que peguei uma brochura com a esclarecedora explicação: "Nós garantimos o desempenho básico, como dirigibilidade e silêncio, apesar do carro ser o melhor super-esportivo do mundo." Tradução problemática ou não, peguei a idéia: o GT-R foi desenhado para ser um super-carro com praticidade. Fiquei perplexo, porém, com a frase que dizia, "Gostaríamos de passar a essência waku waku que o carro oferece."
O sentido de waku waku permaneceu um mistério por meses, até finalmente pegar no volante do GT-R. Agora entendo, e posso dizer que esse negócio é completamente waku waku.
A Nissan deu uma missão clara ao GT-R: aniquilar praticamente todos os outros carros potentes do mercado e ao mesmo tempo provê-lo com assentos para quatro pessoas, espaço para dois conjuntos de tacos de golfe e muito conforto, tudo pelo preço de um Posche Cayman S. com vários opcionais. De forma impressionante, o carro atinge todos esses objetivos, contanto que os passageiros sejam nanicos e possuam um espírito de cooperação incomum.
O GT-R 2009 é herdeiro do lendário Skyline GT-R, um carro potente para a classe média assalariada que começou como uma versão asiática do Pontiac GTO e acabou se tornando um ícone cult após ser incorporado pelos videogames. Mesmo assim, a Nissan resolveu tirar o nome Skyline do novo GT-R, pois o carro seria construído em sua própria plataforma. É verdade, mas o nome genérico parece também ser uma estratégia de marketing para que as pessoas digam Nissan e GT-R juntos, de modo que os ouvintes saibam de que carro se está falando.
Muito tem sido escrito sobre o desempenho estarrecedor do GT-R, especialmente nas pistas. Perguntava-me antes de dirigir o carro se o tato, a diversão pura de dirigir, havia sido deixado de lado pela conquista de voltas mais rápidas na pista.
A Nissan afirma que nas curvas do Autódromo de Nuerburgring, onde a suspensão foi ajustada, os instrumentos de bordo mostraram que o condutor do GT-R precisou fazer menos correções de direção que o condutor do Porsche 911 Turbo. Além disso, o GT-R também era mais rápido. Tudo bem, mas com qual finalidade? Ajustes precisos de direção não são parte da diversão? Se quiser emoção sem envolvimento, eu vou para uma montanha-russa.
Temores de que o GT-R acabaria como o Mitsubishi 3000GT VR4 - um encouraçado bi-turbo dos anos 1990 com tração nas quatro rodas que morreu tão inchado quanto o Elvis - não se concretizaram. Sim, o GT-R tem duas portas, quatro assentos, um bi-turbo V-6 e tração nas quatro rodas. E está equipado com transmissão automática e manual selecionável pelo condutor; suspensão eletrônica ajustável; e controle eletrônico de estabilidade com três níveis de intervenção.
Na tela acima do console aparecem gráficos de aceleração, fluxo de combustível e temperatura diferencial traseira para compartilhar com seus amigos. (Brincadeira. Se você realmente se importa com o fluxo de combustível e a temperatura diferencial traseira, provavelmente você não tem amigos.)
Mesmo com toda essa tecnologia e capacidades incríveis, parece que as pessoas que projetaram o carro nunca deixaram de se preocupar com a experiência de dirigir. O GT-R faz você se sentir bem, nos pequenos detalhes, como as tiras de couro cobrindo os pontos de contato das alavancas do painel, e a solidez de sua nova plataforma.
O motor de 3.8 l montado à mão se baseia num de V-8 de corrida japonês, não no V-6 usado na linha Nissan americana. Seus dois turbo-compressores são limitados a 10 libras de motor de explosão, fazendo seus 480 cavalos parecerem razoáveis - até você ler os números do desempenho na pista, que os fazem parecer subestimados. O motor tem bloco de cilindro em alumínio fundido com orifícios com tratamento de plasma, de baixa fricção e longa resistência às altas temperaturas que essa potência gera.
Esse motor soa diferente de qualquer V-6 que eu já tenha ouvido, com um exótico lamento que combina um arranhar exaustivo de um baixo com um grito induzido agudo. Você já ouviu a estática da ignição captada por um rádio mal sintonizado? Bem, o GT-R soa como os amplificadores de um show do The Who transmitindo a interferência de uma turbina de um Rolls-Royce.
O tsunami de poder do V-6 - zero a 100km/h em menos de 4s - é canalizado por uma transmissão de seis velocidades na traseira, conectada a um sistema 4x4 que equilibra a potência meio-a-meio nas rodas dianteiras e traseiras ou 100% nas traseiras.
Como não há um terceiro pedal, o computador que controla a embreagem precisa adivinhar suas intenções. Seu pé direito comunica essa informação "avisando que você vai estacionar e, portanto, precisa de uma mudança delicada, ou que você está tentando atravessar antes do sinal vermelho", então cuidado para não enviar sinais misturados.
Ezra Dyer - do Terra