CRM denuncia superlotação e falta de leitos na MDER

Por: Juliana Gomes

Conselho flagrou uma parturiente esperando atendimento por 12 horas. Recém-nascidos em estado grave estavam internados dentro de sala cirúrgicas.

CRM denuncia superlotação e falta de leitos na MDER Grávida de Regenaração esperava há 12 horas por atendimento. Foto: CRM

O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) realizou na quinta-feira (18), uma vistoria na Maternidade Dona Evangelina Rosa, após denúncias de médicos sobre as condições de trabalho. No relatório feito pelo CRM foram apontadas várias irregularidades como a superlotação de pacientes e problemas estruturais que colocam em risco a saúde de gestantes, mulheres em puerpério e recém-nascidos. Além disso, os profissionais denunciaram a falta de banco de sangue em laboratórios próprios.

A equipe de fiscalização flagrou uma parturiente do município de Regeneração, que estava há 12 horas sem atendimento e não passou por regulação ou encaminhamento do seu estado de saúde. A fiscalização também informou que o problema mais grave foi encontrado na ala dos recém-nascidos, onde faltam profissionais especializados para atender a demanda de partos cesarianos. No local encontram-se recém-nascidos em estado grave que estão internados dentro de salas cirúrgicas, onde são realizados vários partos.

“O grande problema constatado é que não há local apropriado e nem leitos disponíveis. Outros recém-nascidos estavam internados em condições inadequadas, apenas com a utilização de berço aquecido e hidratação venosa, porém deveriam estar em leito de UTI neonatal e fora do COS, mas como não há vagas para todos, estão recebendo tratamento no local, de forma improvisada”, disse o CRM no relatório.

Outras irregularidades foram encontradas na lavanderia e na sala de recuperação pós-anestésica. No primeiro local, funcionários trabalham em condições insalubres e ruídos acima do permitido pela legislação trabalhista. Faltam máscaras específicas, luvas, vestimentas e botas de trabalho. No segundo espaço da maternidade, pacientes que deveriam ficar em observação por no máximo duas horas, ficam no setor por 12 horas ou mais, por falta de leitos disponíveis nas enfermarias. Além disso, nem todos os leitos possuem monitores cardíacos, nem oxímetro de pulso, o que é obrigatório pelas normas de saúde. Uma das salas do centro cirúrgico estava sem ar condicionado e o piso e paredes contêm rachaduras, acumulando lixo e poeira, que podem causar infecções.

Conselho constatou lixo, falta de ar condicionado e equipamentos, além de rachaduras nas paredes. Foto: CRM

Reunião e esclarecimentos

O CRM-PI convocou uma reunião com os secretários estaduais de Saúde, Administração, Fazenda; com o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Silvio Mendes, e diretores e gestores da MDER e de maternidades de bairros, além da diretoria da Central de Regulação do Estado. O intuito é buscar soluções prática, principalmente para acabar com a superlotação e a falta de condições de trabalho e de estrutura da maternidade.

A Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que está passando por um processo de reforma e ampliação, que irá contar com cerca de 50 leitos a mais, entre UTI neonatal e obstétrica. O espaço de urgência e emergência também será ampliado em 40 leitos hospitalares.

 

 

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