HUT realizou mais de 2 mil atendimentos para retirada objetos estranhos em 2017

Por: Francisca Pinto

De acordo com o relatório produzido pelo setor de estatística do hospital, os locais mais comuns para retirada de corpo estranho foram o ouvido

HUT realizou mais de 2 mil atendimentos para retirada objetos estranhos em 2017 Foto: reprodução Google Maps

O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) alerta a população para o crescente número de atendimentos de crianças e adultos para retirada de objetos estranhos em várias partes do corpo. Somente em 2017, o HUT realizou 2.647 atendimentos para retirada desses objetos.

De acordo com o relatório produzido pelo setor de estatística do hospital, os locais mais comuns para retirada de corpo estranho foram o ouvido, com 370 atendimentos, seguido do nariz (254); garganta (207); local indefinido (48) e genitálias (13). Em 2017 a retirada de corpos estranhos foi cerca de 7% maior do que em 2016, quando foram registrados 2.475 casos.

Em pacientes com até 12 anos de idade foram 892 atendimentos. Segundo Gilberto Albuquerque, endoscopista e diretor geral do HUT, o hospital recebe, em média, seis pacientes, de todas as idades, por dia, para retirada de corpos estranhos em diversas partes do corpo e alguns casos já chegam bastante graves, inclusive com risco de morte.

O corpo estranho é qualquer objeto ou substância que, acidentalmente, penetre o corpo. Pode ser colocado pelas narinas, ouvidos, boca ou órgãos genitais. O risco é maior quando o objeto estranho é aspirado para o pulmão, podendo causar obstrução parcial ou até total dos brônquios. Casos de crianças que aspiram ou ingerem corpos estranhos se tornam mais graves pelo fato de não saberem descrever os sintomas e não terem capacidade de expelir o objeto sozinho.

“É comum episódios de engasgos e bronco aspirações em bebês durante a amamentação ou ao golfar enquanto dormem. Para as crianças maiores, o risco é de bronco aspirar os alimentos em grão ou pequenos objetos que podem ser levados a boca. Portanto, é preciso ter mais atenção, pois o risco de complicações e sequelas é alto. Quando uma criança aspira um objeto, ela pode ter o pulmão totalmente obstruído, causando uma parada respiratória. Dependendo da gravidade, ela pode até morrer. Em 2017 perdemos duas crianças que aspiraram sementes de frutas. Elas já chegaram bastante graves e não tivemos mais como reverter o quadro. São situações evitáveis. É preciso que pais e responsáveis fiquem mais atentos às suas crianças”, alertou.

Gilberto disse ainda que as espinhas de peixes, ossos de galinhas e moedas pequenas são os “corpos estranhos” mais frequentes na urgência do HUT. Outros não muito frequentes, porém bastante graves, pelo alto grau de dificuldade de retirada do objeto, são as semente em geral e pedrarias para confecção de bijuterias.

“Quanto mais dura e lisa for à superfície do objeto, mais difícil fica para conseguirmos retirar, pois a pinça não consegue pegar. Ela fica deslizando. A semente do algodão, por exemplo, é uma das piores. Quando é aspirada por uma criança é muito difícil de pegar. Ela provoca uma reação alérgica aguda causando uma obstrução brônquica. Durante os procedimentos de retirada dessa semente o paciente pode até morrer”, destacou o diretor.  

Com relação às complicações e sequelas Gilberto disse que, quando ocorrem as obstruções respiratórias, o paciente pode ter um Acidente Cerebral Isquêmico (AVCI), que é causado pela falta de sangue em uma área do cérebro. “Se o paciente não morrer, pode ficar em estado vegetativo por anos. Além disso, tem ainda as pneumonias crônicas, sangramentos pulmonares, perfurações do esôfago e brônquios e muitos outros. As complicações podem ser bastante graves”, ressaltou.  

 

Com informações SEMCOM 

 

 

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