OAB realiza debate sobre aumento do número de feminicídio no PI

Por: Francisca Pinto

Os homicídios envolvendo mulheres são considerados feminicídios quando o crime envolve violência e menosprezo ou discriminação à condição da mulher

OAB realiza debate sobre aumento do número de feminicídio no PI Debate sobre o aumento do número de feminicídio/Foto: Francisca Pinto/45Graus

As Comissões da Mulher Advogada e de Apoio à Vítima de Violência da OAB-PI promoveram, na tarde desta terça-feira (7), um Ato Público contra o feminicídio, onde foi debatido a proteção feminina diante do aumento dos crimes violentos no Piauí.

Os homicídios envolvendo mulheres são considerados feminicídios quando o crime envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

A presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Eduarda Mourão, avaliou a situação atual de aumento no índice de feminicídio no Piauí como o desafio do século e afirmou que esse debate é uma forma de apoiar e discutir sobre a violência que muitas mulheres têm sofrido.

Eduarda Mourão/Foto: Francisca Pinto/45Graus

“A sociedade de um modo geral tem de ter como pauta permanente a violência de gênero. É o grande desafio do século XXI que é transpor a barreira dessa violência. A nossa atitude aqui é incentivar que a mulheres denunciem, fazermos debates sobre isso, levarmos palestras para as faculdades, trabalharmos as jovens gerações no sentido de levar o direito de igualdade, a compreensão do período dessa permanência desse ciclo de violência, para que a mulher busque o seu próprio empedramento, apoio e ajuda dentro desse ciclo de violência, pois muitas vezes ela não consegue sair sozinha”

As principais motivações do feminicídio mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade do homem sobre a vítima do gênero feminino.

Margarete Coelho, vice-governadora do Piauí, lamenta que os índices de feminicídio tenham crescido. De acordo com Margarete, o estado está em busca de estratégias para que este número seja reduzido.

Foto: Francisca Pinto/45Graus

“Infelizmente nós temos que lamentar que os índices tenham aumentado, tenham nos surpreendido, pois primeiramente nós conseguimos baixar esse índice bastante em 2016 e em 2017 esses índices voltaram a crescer, nós estamos debatendo e procurando soluções, mas esses índices continuam a crescer e nós estamos buscando todas as estratégias. Essa de nos reunir aqui com a sociedade é uma, já buscamos as igrejas pra tentar coibir este fenômeno porque ele acontece, grande parte deles, no interior das residências, onde é bastante difícil o braço do estado chegar, então temos que usar outros meios, outras estratégias e nós estamos atentas a todas elas”, disse.

Foto: Francisca Pinto/45Graus

Participaram do evento a delegada Vilma Alves, da Delegacia da Mulher, Sabrina Araújo, vice-presidente da comissão de apoio a vítima de violência, a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Eduarda Mourão, Margarete Coelho, vice-governadora do Piauí, a Procuradora-Geral do Município, Geórgia Nunes, entre outras autoridades.

 

Processos

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a taxa de congestionamento nos casos de violência doméstica no Piauí é de 75,5%. O indicativo apontou que durante 2016 foram 1.169 inquéritos policiais novos envolvendo casos de violência contra a mulher no Piauí; sendo que outros 2.416 estavam pendentes e 714 foram arquivados. Ao todo, foram 3.192 novos casos de violência contra a mulher catalogados.

 

Vítimas

O pai da estudante de Direito Camilla Abreu, de 21 anos, e a mãe de Iarla Lima Barbosa, de 26 anos, vítimas recentes de feminicídio em Teresina, participaram do evento.

Para Jean Carlos, pai de Camilla, essa iniciativa é muito importante para os pais de família que vem se preocupando com o numero crescente de feminicídio no Piauí. Como pai de uma vítima desse crime, Jean afirma que a sociedade deve ser alertada.

Jean Carlos/Foto: Francisca Pinto/45Graus

“Nós nunca imaginamos que isso aconteceria na família da gente e a parti de agora eu vou ficar participando desses movimentos sociais, pois acredito que a sociedade deve ser alertada, mais movimentos desses devem ser realizados, buscar o governador, o prefeito, pois esses crimes não podem ficar impunes”, disse.

Em lágrimas, a mãe de Iarla Lima, Dulcineia Lima, pede que a justiça seja ágil nesses casos e afirma que esse aumento deixa um sentimento de revolta e dor.

Dulcineia Lima/Foto: Francisca Pinto/45Graus

“Esperamos que justiça seja bem ágil nesses casos que vem acontecendo para ver se ameniza ou acaba com esse crime, porque não é fácil a gente ter os filhos e de repente acontecer isso. O sentimento é de revolta e muita dor e sempre que tiver esses eventos à gente participa pra pedir que isso não aconteça. A gente espera que a justiça se manifeste, porque só nós fica difícil, esperamos que as autoridades competentes ajam junto com o povo”, finalizou.

Foto: Francisca Pinto/45Graus

 

 

 

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