Papa Francisco abole 'sigilo pontifício' de investigações de abuso sexual na igreja

Por: Portal 45 Graus

Os defensores da mudança dizem que a regra anterior permitia a membros sob investigação manterem seus casos em segredo em vez de cooperar com as autoridades

Papa Francisco abole 'sigilo pontifício' de investigações de abuso sexual na igreja O papa Francisco, durante missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano / Foto: Alberto Pizzoli

O Papa Francisco determinou mudanças na forma como a Igreja Católica lida com casos de abuso sexual de menores e eliminou a regra de "sigilo pontifício", usada até então para manter investigações em segredo.

A mudança, anunciada pelo papa nesta terça (17), abre caminho para que a igreja envie para autoridades civis documentos e materiais relacionados a suspeitas de abusos sexuais em todos os lugares onde atua. Essa prática já é exigida em alguns países, como os Estados Unidos.

O fim do sigilo foi uma demanda chave de parte dos líderes da Igreja durante a reunião de cúpula que tratou dos casos de abuso sexual na igreja, realizada em fevereiro no Vaticano.

Os defensores da mudança dizem que a regra anterior permitia a membros da igreja sob investigação manterem seus casos em segredo em vez de cooperar com as autoridades civis.

"Agora que esse impedimento, que nós podemos chamar assim, foi retirado, o sigilo pontifício não é mais uma desculpa [para não cooperar]", disse Charles Scicluna, arcebispo de Malta e um dos investigadores de abusos sexuais mais experientes do Vaticano. Ele considerou a medida como "histórica".

As novas regras impedem a igreja de exigir silêncio daqueles que denunciem casos de abuso que ficaram sabendo ou que disseram ter sido vítimas. Outra mudança: a igreja passa a considerar como pornografia infantil qualquer imagem sexualizada de menores de 18 anos, e não mais de 14 anos.

Os documentos firmados pelo papa são chamados de "rescriptums": uma reformulação parcial das leis canônicas e de outras regras do Vaticano, que pode ser feita apenas com a autoridade do próprio pontífice.

A Igreja Católica é alvo de escândalos de abusos sexuais de crianças e de jovens por padres e religiosos nos últimos 20 anos, em diversos países do mundo. O papa Francisco defendeu tolerância zero aos abusadores, mas as vítimas e seus parentes pedem ações mais firmes, como a punição a bispos que acobertem casos de seus subordinados.

 

 

 

 

FONTE: Folha de São Paulo

 

 

Tópico: Abuso sexual

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