Sessão debate prevenção ao suicídio e CVV busca novos voluntários

Por: Rodrigo Antunes

Durante a sessão, foram apresentadas ações já implementadas para ajudar pessoas que precisem de ajuda. CVV necessita de novos voluntários.

Sessão debate prevenção ao suicídio e CVV busca novos voluntários Sessão debate prevenção ao suicídio na Alepi. Foto: Rodrigo Antunes/45graus

A Assembleia Legislativa do Estado do Piauí realizou nesta quarta-feira (13) uma sessão solene para debater o suicídio no estado.

Considerado já um caso de saúde pública e tabu por muitos setores da sociedade, a causa tem tiro atenção especial das autoridades que realizam no mês de setembro uma campanha chamada 'Setembro Amarelo', em alusão a prevenção do suicídio.

A sessão foi proposta pelo deputado Francis Lopes (PRP), e contou com a participação de órgãos que oferecem e prevenção ao suicídio, como o Centro de Valorização da Vida, e o centro Débora Mesquita, o secretário estadual de saúde, Florentino Neto, psicólogos e outros profissionais que atuam na área. Segundo o deputado, que propôs a sessão, a ideia é levar para a sociedade a mensagem da prevenção tanto pelos órgãos quanto pelas próprias pessoas, próximas às pessoas que passam por momento de sofrimento.

"Queremos alertar as pessoas a se previnirem, já que sabemos que 90% dos casos se forem cuidados por centros especializados, que cuidam disso, que tratam desse assunto, poderiam evitar o suicídio. Como é considerado um tabu no Brasil, a gente quer popularizar mais o assunto, chamar mais atenção, porque está crescendo de uma forma assustadora, pra você ter uma ideia, somente no final de semana que fiquei sabendo de 4 suicídios e de ontem pra cá mais 3. Então quanto mais abordar esse tema aqui, melhor, pras pessoas que tem esse tipo de fraqueza", disse o deputado Francis Lopes.

Deputado Francis Lopes propositor da sessão. Foto: Rodrigo Antunes/45graus

Durante a sessão foram citadas situações onde pessoas buscam ajuda e, em muitos casos, agentes públicos não sabem lidar com a situação. Hoje, quem precisa de ajuda pode contar tanto com órgãos da sociedade civil organizada, como o CVV, quanto com o apoio dos profissionais de saúde, segundo conta o secretário de saúde, Florentino Neto. A capacitação de funcionários da saúde pública faz parte do plano estadual de combate ao suicídio, instituído recentemente pela Secretaria de Estado da Saúde.

"O governo reconhece que esse é um problema que persiste desde o nascedouro da humanidade, a OMS tem dados históricos do avanço deste problemas, nós sabemos da condição que nós estamos e que nós acompanhamos esses dados, que nos preocupam, por isso que lançamos o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio. Estamos capacitando todos os profissionais da rede de saúde pública, integrando os serviços de saúde pública com a rede de assistência social (CREAS, CAPS), integrando com órgãos da rede de assistência psicossocial que possa nessa articulação entender que o poder público pode trabalhar na prevenção ao suicídio", afirma o secretário.

Secretário de Saúde, Florentino Neto. Foto: Rodrigo Antunes/45graus



O gestor explica ainda que as capacitações serão constantes e que, pessoas em situação de sofrimento já podem contar com o apoio da rede de saúde, no caso, como urgência e emergência, como hospitais e até o serviço do SAMU. Os profissionais atendem as pessoas que necessitam de ajuda e encaminham para os profissionais da área e centros de apoio. Mesmo com o apoio, o gestor da saúde do estado afirma que a prevenção ao suicídio vem também do apoio das pessoas em geral.

É bom que se diga, a prevenção ao suicídio ela prescinde, ela necessita, da participação das pessoas. Daquelas pessoas que convivem com alguém que dá sinais de ideação suicida. Não só a pessoa pode pedir ajuda, mas quem convive com ela pode pedir ajuda e esse auxílio pode ser solicitado através das organizações da sociedade civil organizada", explica Florentino

CVV precisa de mais voluntários

Com 55 anos de atuação no Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) também esteve representado na sessão. Segundo a coordenadora do centro no Piauí, Maria Zélia, hoje o centro conta com apenas 36 voluntários que fazem atendimento a pessoas em situação de sofrimento. Para dar conta de toda a demanda, seriam necessárias cerca de mais 40 pessoas, a fim de extender o atendimento por até 24hs diárias. Além do atendimento por telefone, o centro também necessita de pessoas voluntárias para as outras ações de prevenção ao suicídio, como explica a coordenadora.

"Temos o CVV Comunidade, que vai direto às comunidades, e nós temos outras ferramentas que também são trabalhadas no CVV", explica.

Maria Zélia, coordenadora do CVV. Foto: Rodrigo Antunes/45graus

Por se tratar de um trabalho sigiloso, ela comentou pouco com nossa equipe sobre os relatos das pessoas que buscam ajuda, mas garante, que a maior busca é por acolhimento. 

"Eles querem se sentir acolhidos, sentir que tenha uma pessoa que possa ouvi-lo com atenção, com respeito, com confiança, a falta desse diálogo ela é presente em todos que nos ligam", explica a coordenadora. 
 

 

 

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