Oeiras: Prefeitura fecha poços e deixa 12 mil pessoas sem água

Por: da Redação

Após municipalização da água, prefeitura fechou poços que ficam em escolas do município. População reclama de falta de água e alto preço na tarifa cobrada.

Oeiras: Prefeitura fecha poços e deixa 12 mil pessoas sem água Uma das creches que teve poço desativado para a população. Foto: reprpodução

Após ter sido aprovado o processo de municipalização da gestão da água no município de Oeiras, muitos moradores têm reclamado dos cortes realizados pela Prefeitura em postos de abastecimento no município.

Ao todo cerca de 12 mil pessoas foram afetadas pela interrupção realizada pela gestão municipal nos poços instalados, sobretudo, em escolas do município.

A denúncia repercutiu no plenário da Câmara Federal, através do discurso do deputado federal Assis Carvalho, nesta semana.
 

Oeirenses de ‘lata d’água na cabeça’

No dia 17 de julho deste ano, a administração municipal suspendeu o abastecimento de água dos poços da Escola Municipal Dom Edilberto Dinkelborg, que contempla o conjunto Aleksandra, no bairro Jureminha. As escolas Mercês Romão e Francisco Quirino (no bairro Rosário), Santinha Nunes (bairro Rodagem de Picos) e Escola Agrícola (bairro Uberaba) também tiveram os poços fechados para a população.

Nos bairros, a população se vira como pode carregando baldes e latas d’água para garantir o mínimo de água para beber, cozinhar e tomar banho.

“A prefeitura mandou cortar água sem avisar ninguém. As mulheres daqui religaram a água. No outro dia, vieram aqui o pessoal da prefeitura e polícia pra cortar novamente. Nesse dia, foi sofrimento, pegando água na casa de um e de outro. Já estamos muitos dias sem água. Alegam que iam lavar caixa d’água e voltaria o sistema normal, só que até agora nada, estamos sem água”, contou Expedito Pereira, 56 anos, comerciante.

Líderes comunitários, setores da Igreja e vereadores da oposição Beron (PMDB), Arimateia Junior, Gilmar Fontes e Hélio Adão (PT) tentam sensibilizar a prefeitura para o drama vivido pelos moradores dos bairros afetados. Na Câmara, eles os vereadores citados votaram contra o projeto de municipalização, alegando falhas no projeto e exigindo um tempo maior de diálogo com a população, o que não foi atendido, sendo o projeto aprovado pela base do prefeito Zé Raimundo (PP).

O vereador Beron, por exemplo, destacou que faltou participação da população no debate, faltou uma consulta pública, a criação de uma agência reguladora e a inspeção da qualidade da água.

Segundo os vereadores, os poços não pertencem à Agespisa e a perfuração e o equipamento dos poços foram feitos por diversas instituições. Em vários casos, foi fruto da contribuição da Igreja Católica, obra do DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra as Secas) e até dos próprios moradores, além da Prefeitura.

Os parlamentares alegam que para haver a cobrança, seria necessário que a Agespisa ressarcisse os investimentos que essas entidades e pessoas tiveram para construir e equipar os poços. Alguns moradores estão se vendo obrigados a contratar o fornecimento da Agespisa, com gastos de cerca de R$ 140,00.

A reclamação de muitos é que estão sendo obrigados a pagar por uma água sem tratamento adequado. Eles também pedem um maior prazo para que possam realizar o pagamento e se adaptarem ao novo orçamento.

“É direito da prefeitura regularizar a situação da água, mas não pode deixar as pessoas sem água e exigir que paguem por água sem tratamento”, argumenta o vereador Arimateia Júnior (PT).
 

Prefeitura diz que atende ao MEC

Em nota, a prefeitura alegou que o corte de água é uma medida que “segue recomendações do Ministério da Educação, que proíbe o estabelecimento de ligações irregulares em poços situados nas dependências de unidades escolares”, e sugeriu que os moradores procurassem a Agespisa pra regularizar o abastecimento.

Vereadores de oposição questionam a recomendação e irão buscar explicações com o Ministro da Educação em Brasília por meio do deputado federal Assis Carvalho.

 

 

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