Distritão tira a representatividade de minorias, diz Evaldo Gomes

Por: Francisca Pinto

A proposta do distritão estabelece que os deputados a serem eleitos sejam os que obtêm mais votos, o que desfaz o que atualmente é vigente no processo eleitoral

Distritão tira a representatividade de minorias, diz Evaldo Gomes Evaldo Gomes/Foto: Rodrigo Antunes Leal

Após uma comissão da Câmara Federal aprovar a proposta de emenda constitucional do distritão (proposta em que põe fim às coligações proporcionais para escolha de cargos legislativos), no Piauí a medida teve reação no meio político.

É certo que a proposta ainda irá a plenário, mas por aqui os políticos já se manifestam sobre a possibilidade de mudança no processo político brasileiro.

Para o deputado estadual Evaldo Gomes, eleito em eleições proporcionais em partido relativamente pequeno, o PTC, a proposta não deve passar pelo plenário da câmara, mas caso seja aprovada irá tirar a representatividade das minorias e das mulheres no legislativo brasileiro.

“O distritão tira o direito das minorias e especialmente das mulheres. Se levar em consideração o numero de mulheres que hoje tem na Câmara Federal como deputada, é muito pouco, talvez em torno de 10%, um pouco mais de 60 mulheres como deputadas federais. Então, o distritão vai reduzir ainda mais o numero de deputadas federais, vai tirar o direto das minorias, vai tirar o direito de lideranças populares e vai acabar a renovação da política, não só na câmara, mais nas assembleias legislativas, nas câmaras municipais, ou seja, o que vai prevalecer é quem está como deputado, permanecer como deputado”, explicou o deputado.

O deputado afirma que não acredita em uma aprovação no plenário da câmara, pois muitos partidos como PT, PSB, PDT, PR, PV, PSOL e outros partidos menores são contrarios a essa posição. Para a proposta ser aprovada precisaria de 308 votos e, de acordo com Evaldo, esses partidos pequenos tem um terço da câmara federal.

O parlamentar admite sua eleição por meio de eleição proporcional, mas  diz não temer uma possível aprovação da PEC. “Muita gente vai dizer assim, mais você foi eleito duas vezes nas coligações, nada haver, ao contrário eu acho que vai é me beneficiar se houver um distritão. Eu tenho consciência do meu trabalho, da minha organização, do apoio do meu partido, mas eu sou contrario ao distritão por questões de princípios, não é por questões de oportunismo. Porque eu compreendo que mais uma vez as minorias deixam de ter representatividade nos parlamentos e principalmente a participação das mulheres vai reduzir mais ainda”, disse.

A proposta do distritão estabelece que os deputados a serem eleitos sejam os que obtêm mais votos, o que desfaz o que atualmente é vigente no processo eleitoral do Brasil, onde coligações proporcionais conseguem eleger parlamentares com menos votos que outros que obtiveram mais votos.

 

Com informações do Rodrigo Antunes diretamente da Alepi.

 

 

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