Professores de Valença reclamam de descontos ‘indevidos’ nos salários

Por: Rodrigo Antunes

Prefeitura fez descontos que chegam a mais de R$ 2mil de alguns professores. Secretaria alega que aulas não foram repostas após greve.

Professores de Valença reclamam de descontos ‘indevidos’ nos salários Secretaria de Educação de Valença. Foto: Portal Grande Rede

No município de Valença do Piauí, professores da rede municipal de educação estão sem entender os recentes descontos feitos pela Prefeitura Municipal em seus contra-cheques.

A classe já vinha sofrendo com os constantes atrasos de salário por parte da gestão e deflagrou greve ainda no mês de novembro de 2017.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Valença, Carlos Wagner Rosa, apesar do movimento grevista realizado pela categoria, os mesmo encerraram o ano letivo repondo as aulas que deixaram de dar durante a greve. Mesmo assim, a gestão descontou valores referentes aos dias grevados e mais seis dias do mês de dezembro

Para se ter uma ideia do tamanho dos descontos, uma professora revelou para nossa equipe que teve mais de R$ 2mil descontados juntando os dois meses. Ela preferiu não se identificar por medo de represálias.

Em outros casos, como da professora Marlene Lima, os descontos foram menores e chegaram a um valor aproximado de R$ 1.200,00 juntando os dois meses. Ela afirma que orientou uma estagiária para dar aulas em seu lugar em novembro e mesmo assim fez a reposição e não entende porque teve o salário descontado.

“Eles estão dando duro para pagar o mês de novembro. Disseram que vão pagar o mês de dezembro, mas vai ser o jeito a gente entrar na Justiça. Não alegam nada, não dizem nada só que tem a lei e eu acho que a lei é a que eles fazem porque nós repusemos as aulas. Alguns voltaram dia 30 para a sala de aula, outros voltaram dia 11, como foi meu caso, e fiquei até o dia 22 de dezembro. Eu tinha duas estagiárias que deram aula por mim em novembro. Então eu não sei em que foi que eles se basearam em tirar esse desconto”, afirma a professora Marlene.

Durante a greve, a Secretaria Municipal de Educação ingressou com uma ação junto ao Tribunal de Justiça do Piauí pedindo a ilegalidade da greve. Em decisão do desembargador Fernando Carvalho Mendes, proferida no dia 04 de dezembro, ficou determinado que 70% dos servidores retornassem ao trabalho.

Outro lado

Nossa equipe entrou em contato com o secretário de educação de Valença, Kássio Gomes, que afirmou que o sindicato fez uso político da greve. O gestor da pasta admitiu que houveram atrasos no salário de outubro devido a queda de repasses, mas os pagamentos foram negociados junto ao sindicato e feitos por ordem alfabética por ser a forma mais democrática. Mesmo assim, o sindicato optou pela greve e atrasou o ano letivo do município, sendo preciso a Justiça determinar o retorno imediato de 70% dos servidores que só voltaram efetivamente no dia 11 de dezembro.

“O que deu pra fazer de pagamento da folha, foi feito. Isso aconteceu por duas vezes, no mês de outubro e mês de novembro. No entanto, teve servidor que mesmo nesses meses receberam antes do prazo, até o dia 30 já tinham recebidos seus salários e, de fato, alguns ficaram com atraso de 5 dias, 10 dias, o maior que teve foi de 15, mas isso de apenas parte da folha. Em dezembro já pagamos em dia, não teve problema nenhum. Além de eles terem descumprido uma ordem judicial em caráter liminar e imediato, que era o retorno imediato no dia 04 de dezembro, eu mandei ofício dia 05 e não voltaram. Só retornaram dia 11”, disse Kassio.

Segundo Kassio, a secretaria pediu as folhas de registro da reposição das aulas para proceder com o pagamento de quem, de fato, repôs as aulas durante a greve. A solicitação não foi atendida e, por isso, a prefeitura descontou os dias faltados e não registrados foram descontados. Ele explica que os professores que fizeram a reposição podem entrar com pedido individual junto ao setor pessoal para ser analisado.

“Eu mandei ofício para cada diretor pedindo que mandassem o calendário de reposição. Nenhum me mandou esse calendário. Eles dizem que fizeram reposição, mas até o momento não chegou os diários comprovando e de professor que ainda não entregou nota nem fez recuperação de aluno, porque teve o desconto. Se tiver feito a reposição, ele entra com pedido individual, a gente manda pro setor pessoal pra ser analisado. Agora não é da noite pro dia que a gente vai retornar um recurso que foi um prejuízo que eles causaram pro município”, explica o secretario.

 

 

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